
10/06/2006
Ano 9 -
Número 480
ARQUIVO
MARCO ANTONIO
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Marco
Antonio Azevedo
APURAÇÃO EXPRESSA |
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O jornalismo enquanto atividade profissional está
sempre mudando. A tecnologia que envolve a profissão mais ainda.
Aparelhos como o telefone e o computador conferem agilidade e velocidade
na comunicação e confecção de matérias. Já está longe o tempo do
telefone com fio e discagem paquidérmica. O que vale para o jornalista
hoje, é o celular, o melhor amigo do homem do século XXI. O mesmo se
pode dizer da saudosa máquina de escrever, que descansa em paz na
solidão dos museus. Em seu lugar estão os novíssimos computadores que
abarrotam as salas de redações, sem fumaça de cigarros, com chão
acarpetado e aquários higiênicos.
Os meios de transporte tão importantes para o deslocamento do
jornalista, no seu afã de elaborar notícias, também mudaram. Os
percursos que eram feitos por pesados automóveis e bondes, por exemplo,
hoje são realizados por carros computadorizados, metrô e até
helicópteros, que encurtam as distâncias.
No ambiente da comunicação, as coberturas simultâneas feitas pela
televisão, e as milhares de informações que transitam pela internet,
fazem parte da rotina acelerada do profissional de jornalismo.
Assim, a atividade nuclear do jornalismo que é a cobertura, vai mudando
enquanto possibilidades de realização, envolvendo telefone sem fio,
computadores, agendas eletrônicas, emails e até o avião. Mas uma coisa
não muda nunca: a importância da pesquisa e o resultado da apuração. O
modo de feitura de uma reportagem, envolvendo levantamento de dados,
entrevistas, fontes variadas etc, pode se alterar, o produto final, não.
Ou seja, o melhor do ponto de vista editorial, factual, ético, cultural
e humano.
O leitor de jornais e a massa que assiste telejornal, aguardam as
notícias como o pão de cada dia. É obrigação do repórter, então,
realizar a melhor cobertura, preparar notícias que estejam coladas na
realidade, elaborar matérias, não como um burocrata amestrado e
indiferente, mas ciente do seu lugar de profissional e cidadão, que
presta um inestimável serviço a sociedade.
Os espaços e o tempo vão se relativizando e mudando, afetando a maneira
de se fazer notícias. Alterando o modo de vida do próprio jornalista,
enquanto rotina diária, numa época marcada pela velocidade e o estresse.
Mas o resultado final da apuração não muda.
As matérias fruto deste processo veloz, factual e técnico, não devem
perder os valores éticos e humanos, que envolvem a sua preparação e se
tornam explícitos enquanto resultado. Devem sim, revelar o fato como ele
é, mesmo nesta época em que vigora a apuração expressa.
(10 de junho/2006)
CooJornal
no 480
Marco Antonio de Azevedo é escritor
Rio de Janeiro, RJ
mazevedo@mls.com.br
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