
13/01/2007
Ano 10 -
Número 511
ARQUIVO
MARCO ANTONIO
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Marco
Antonio Azevedo
TURISMO COM SEGURANÇA |
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Como já falaram vários entendidos e interessados no
assunto, o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa e com vocação
turística. Por isso, ao longo dos anos criamos formas, que já se
tornaram clássicas, de roubar turistas. O negócio começa no aeroporto
Tom Jobim (ex-Galeão), quando as malas dos coitados somem. O turista
sortudo que não tem a sua mala desaparecida, pega um táxi e vai logo
pedindo “Côpacabãna”, plis “Côpacabãna”. O motorista esperto chega logo
ao destino, cobrando o dobro do preço da corrida. E ainda recomenda:
_Mister, “caypyrynha” ali, na barraquinha do Zé é mais gostosa. E aquela
“moulata” ali é minha prima, gente muito boa.
Copacabana também é o bairro preferido dos ladrões de turistas. Eles se
espalham por metro quadrado e trabalham em quatro turnos, manhã, tarde,
noite e madrugada. Isto em época de calor. Como faz calor o ano inteiro
no Rio, eles trabalham sem parar. As vezes não levam só os pertences dos
gringos, como foi o caso do turista português. Um desocupado chegou
junto ao lusitano e exigiu a mochila. O gajo pensou que era uma saudação
local e estendeu a mão para cumprimentar o gatuno, que ficou puto e
furou o português, com uma faca de churrasco. O luso morreu na hora.
O turista quando chega na orla é pura emoção, corre para o quarto do
hotel e troca logo de roupa. Normalmente as roupas combinam com uma
árvore de natal ou alegoria de carnaval. E assim nas ruas, até um cego
sabe quem eles são: branquelos, copo de caipirinha na mão e vestidos de
pinheirinho colorido.
A partir daí os turistas são roubados das formas mais variadas: na conta
do restaurante, no preço do sacolé, pelas meninas de programa que
abundam em Copa, pelas gangues de menores... Alguns perdem até as roupas
e voltam para o hotel que nem os índios do carnaval: só com um tapa
sexo.
Bem, esta história todo mundo já conhece. A novidade agora é que o crime
entrou na era da gestão, da globalização, da TV a cabo, e os ladrões de
turistas criaram um outro negócio. Hoje eles nem esperam os coitados
chegarem a Côpacabãna. Ficam esperando, parados em qualquer sombra da
Linha Amarela ou Vermelha, cercam os ônibus, vans ou táxis e levam tudo
dos gringos. Isto sem se preocupar com a nacionalidade, cor, credo ou
idade. Já passaram pela experiência, japoneses, chineses, angolanos,
ingleses... Os caras só andam em bandos e em caminhonetes com vidro fumê.
Usam até granadas.
Um turista inglês que veio ao Rio pela segunda vez, já aprendeu três
palavras em português: “caypyrynha”, “moulata” e “pêrdeu”. Ao chegar na
delegacia para registrar a queixa, o delegado pediu:
_ Mister com foi o assalto?
O inglês que se chamava John, só berrava:
_ “Pêrdeu”, “pêrdeu”, “pêrdeu”.
Chamaram até um policial bilíngüe para traduzir o que o conterrâneo do
Mick Jagger queria dizer.
E as quadrilhas vão crescendo e diversificando o negócio. Outro dia a
presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie Northfleet veio ao
Rio e com esse nome de turista, foi logo assaltada na Linha Vermelha,
com toda a comitiva e os seguranças. O bando tinha dezessete componentes
e limparam todo mundo.
Diante do fato, um policial militar graduado propôs que turistas e
autoridades sejam escoltados. Fico com pena é dos policiais. Imagina o
PM, de farda, escoltando turista na praia de “Côpacabãna”, num domingo
de sol do mês de Janeiro?
(13 de janeiro/2007)
CooJornal
no 511
Marco Antonio de Azevedo é escritor
Rio de Janeiro, RJ
mazevedo@mls.com.br
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