Arnaldo Massari
 

 

Cada um de nós tem um pouco de si e muito dos outros. O pouco é um diferencial que, de certa forma, contribui. O muito esmera o conceito do viver nas indispensáveis comparações.

 

Dizer de si, sem esbarrar nos tênues limites da vaidade - sempre latente, irrequieta e imatura - das assertivas muitas vezes desnecessárias, não é tarefa fácil, quando se pretende a elaboração de um isento transmitir.

 

O quase tudo de mim está nos meus trabalhos, que sempre buscaram em palavras vivas e sem retoques levar a leitura aos meandros da razão e do sentimento.

 

Considero, também, o lado do convincente. Ouvir pelas próprias alocuções é parcimonioso e não tão legítimo como o escutar de outrem, aquilo que desconfiamos de nós, tanto para as possíveis qualidades, quanto para os indefectíveis defeitos. Vaidade não há, a certeza fez ponto.

 

O que tenho para dar, como todos, é o aprendizado auferido numa longa bagagem de vida, talvez notado em pequenas visões no conteúdo de textos de minha autoria.

 

O que sempre terei por lamentar é a teatralidade do comportamento humano. Poucos são aqueles que não sobem ao palco.

 


Arnaldo Massari
escritor
SP
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