Arnaldo Massari
POR QUE SOMENTE O CIGARRO?
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É notório aos fumantes que o hábito ou o vício de fumar traz malefícios à saúde.
Não existe um fumante sequer que não esteja consciente desses males.
O que causa estranheza é o fato de terem chegado ao bizarro os ataques ao vício,
ao se exporem, nas embalagens, pulmões comprometidos, ratos mortos, pessoas
moribundas e ensejos do gênero.
Seria o cigarro o único mal que compromete a saúde? Não existem outros tantos,
tais e quais, e ainda piores?
Entre ser um fumante consciente e um bêbado inconsciente, o que é mais
degradante e perigoso à própria saúde e à segurança de terceiros?
Por que não, e porque não ainda, agregar aos rótulos das duas bebidas mais
consumidas e populares – a cerveja e a aguardente - um fígado com cirrose,
ventres dilatados, rostos e pés com inchaço, varicose, acidentes fatais, vítimas
abstêmias dos desmandos da embriaguez, assassinatos e outras tragédias
provocadas pela ingestão de bebidas alcoólicas?
Por que essa obstinação antitabagista, quando uma população inteira de jovens –
e não sozinha – sem emprego, sem apoio institucional algum e, porquanto,
desestruturada, ainda é encharcada, sob nenhuma objeção, pela indefectível
cerva? O álcool é a porta de entrada para todos os demais vícios. Destrói a
auto-estima, enfraquece o psicofísico.
Nesse quadro de prevalência e de parcialidade, muitos aspectos permanecem ainda
obscuros. Quanto aos males, tem para todos os gostos e rostos; quer para os
físicos, quer para os mentais, senão alguns: - a carne vermelha altamente
cancerígena, a gordura dos hambúrgueres da vida, a Fome Nacional que tem como
alimento o discurso, a mortalidade infantil, o infernizar constante de governos
incompetentes e facciosos. Isso, sem contar a atual e ridícula proposição pela
soltura antecipada de criminosos e traficantes de drogas.
Como está posto, quer parecer que o cigarro é o único vilão de todos os males. O
bode expiatório para encobrir a real falta de cuidados para com a Saúde Pública
que, por conseqüência, representa vida.
O que na realidade provoca mais mortes, se o objetivo precípuo dos tantos
alertas é a vida?
- Seguramente, e sem dúvida alguma, é a hipocrisia do que se apresenta; caso não
existam interesses espúrios sob esses paternos cuidados.
(04 de junho/2005)
CooJornal no 422