11/06/2005
Ano 8 - Número 424


 


Por que somente o cigarro?


 
Arnaldo Massari

 

HUMANOS: BERRANTES E ABERRAÇÕES

 

 

O previsível de ser Humano está no pressuposto do viver praticando o humanitarismo. Se o viver decorre dissociado do espírito da irmanação, da devoção aos atos do justo e do honesto, fica claro que o humano assim é reconhecido inconseqüentemente.

Direito e reconhecimento, quando aplicados linearmente, pecam à retidão, desmerecem o legítimo, enobrecem o falso. É a aplicação do Direito sem contra-indicações, com suas apreciações dando-se num raso de um peso maior. Não pode haver direitos iguais ao reconhecimento do Humano, sobre vivenciais e comportamentais oblíquos e ofensivos à razão do humanitarismo. O selvagem e o civilizado – tratando-se de seres – têm os seus mundos diferentes. Os seus valores são indivisíveis e imutáveis. Não se permeiam, não se aceitam, não se reconhecem. Portanto, o peso da justiça teria que ser muito excludente nas não-semelhanças e quanto aos atos.

O que poderia ser chamado de lixo humano, não é lixo e tampouco humano. São seres vivos com as mesmas características visuais do homus erectus, mas diferem profundamente dos valores tácitos e, mesmo que essas quebras tivessem uma paciente e isenta avaliação, ainda assim, o gritante das contumazes ofensas levam ao intolerável e ao imperdoável.

Observando-se os animais, notadamente todos, são estáveis no seu tradicional comportamento no habitat, renovando geração por geração, idênticos hábitos e reações. E, assim, é mantido um equilíbrio natural com as devidas proporcionalidades.

O Direito é a consagração do mérito e do valor, dentro de um conjuntural de regras, expectativas e visões. Não é explícito e, portanto, tampouco podendo ser estendido aleatoriamente.

Doenças e pragas, se não combatidas, carreiam desgraça, destroem vidas produtivas e valiosas. Como mal muitíssimo menor, o banimento dos estóicos torna-se cada vez mais necessário e evidente. Entanto e curiosamente no nosso país, com as suas leis ultrapassadas e sobrepostas, – apesar do clamor de toda a Sociedade – não se vislumbram mudanças.

A Lei e a Ciência são a salvaguarda da humanidade. Juristas e cientistas não podem parar no Tempo. Infelizmente, quanto às Leis Brasileiras, aqueles que assim poderiam levá-las à cobrança da atualidade, dão o notório entendimento de que não estão interessados em qualquer titulação histórica. Preferem a comodidade do manso dia-a-dia, sem maiores implicações vindouras, apegando-se ao descaso e à cagüira.

Ainda mais, a grande maioria desses partícipes de governo, tem como único referencial de vida o seu próprio espelho.

Deve ser muito melancólico para um espírito vagante, voltando em visita a sua sepultura, notar o desconcertante de um epitáfio em branco. Dando a entender, tardiamente, que a sua vida não valeu nada.


(11 de junho/2005)
CooJornal no 424


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br