Arnaldo Massari
COMO FEZ DIFERENÇA
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Cheguei atrasado para a plenitude do viver, recebendo um recado do Tempo
Cobrador: falava sobre a questão da pontualidade, da seriedade, da
virtude. Dizia tantas outras coisas, muitas das quais, ainda, não
entendia muito bem.
Era uma mensagem longa, cheia de cuidados, advertências e atenções.
Lembro-me das palavras que apregoavam sobre o alheio e sobre o pessoal.
Grifadas, para dar veemência aos anseios egoístas e contraditórios.
Fazia ver a enorme diferença que existe entre o transitório material e a
grandeza presente do espiritual. Afirmando taxativamente que o bem-estar
do consciente, tendo como julgador o íntimo, é muito mais agradável e
merecedor do que aquelas meiguices são aos olhos e ao físico.
Falava, também, sobre a imaturidade da vaidade, da prepotência gratuita
ou do quando de desfrutes efêmeros e, principalmente, sobre o
preconceito aos sangues vermelhos. Alertava para esses encontros comuns
e decepcionantes que o nosso viver, aqui e ali, dá de encontrão, pela
necessidade de não absorvermos como ofensas esses comportamentais
ridículos, mas, e sim, como fatos cômicos do diário, dessas tantas e
muitas idiotices humanas.
O meu lido foi tão extenso, que das inúmeras importantes e pequeninas
coisas, logo muito aprendi; o meu acanhamento e os meus cuidados, porém,
não se sentem bem em repeti-las.
Faz algum tempo que recebi esse recado. Na ocasião, não me fiz
completamente convencido. Agora, vejo, nitidamente, que fui um eterno
impontual nos meus atos e nos fatos de minha vida, quando me apresentei
como o esse ou como o à aquele protagonista.
Mas que recado!
(18 de junho/2005)
CooJornal no 425