18/06/2005
Ano 8 - Número 425


 


Humanos, berrantes e aberrações
Por que somente o cigarro?


 
Arnaldo Massari

 

COMO FEZ DIFERENÇA

 


Cheguei atrasado para a plenitude do viver, recebendo um recado do Tempo Cobrador: falava sobre a questão da pontualidade, da seriedade, da virtude. Dizia tantas outras coisas, muitas das quais, ainda, não entendia muito bem.

Era uma mensagem longa, cheia de cuidados, advertências e atenções. Lembro-me das palavras que apregoavam sobre o alheio e sobre o pessoal. Grifadas, para dar veemência aos anseios egoístas e contraditórios. Fazia ver a enorme diferença que existe entre o transitório material e a grandeza presente do espiritual. Afirmando taxativamente que o bem-estar do consciente, tendo como julgador o íntimo, é muito mais agradável e merecedor do que aquelas meiguices são aos olhos e ao físico.

Falava, também, sobre a imaturidade da vaidade, da prepotência gratuita ou do quando de desfrutes efêmeros e, principalmente, sobre o preconceito aos sangues vermelhos. Alertava para esses encontros comuns e decepcionantes que o nosso viver, aqui e ali, dá de encontrão, pela necessidade de não absorvermos como ofensas esses comportamentais ridículos, mas, e sim, como fatos cômicos do diário, dessas tantas e muitas idiotices humanas.

O meu lido foi tão extenso, que das inúmeras importantes e pequeninas coisas, logo muito aprendi; o meu acanhamento e os meus cuidados, porém, não se sentem bem em repeti-las.

Faz algum tempo que recebi esse recado. Na ocasião, não me fiz completamente convencido. Agora, vejo, nitidamente, que fui um eterno impontual nos meus atos e nos fatos de minha vida, quando me apresentei como o esse ou como o à aquele protagonista.

Mas que recado!

 


(18 de junho/2005)
CooJornal no 425


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br