Arnaldo Massari
OS TANTOS ERROS E AS MUITAS RAZÕES
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Aqui, onde nós estamos e que conhecemos muito bem, não é uma fantasia –
mas dura realidade.
Somos obrigados a buscar o alento em algum canto do nosso equilíbrio,
nas muitas vezes fora das nossas forças, da nossa compreensão. Agüentar
o que aí está, em repetido e eterno, não é para qualquer povo, por mais
pacífico e paciente que seja.
As nossas faltas? Ah! os nossos excessos!
Como é possível remir erros em perpétuo, se as correções são sempre
feitas pela erronia? Como avaliar, dentro de tantos erros sobrepostos e
com todos os matizes arraigados e acumulados, alguma verdadeira cor que
não apresentasse gradação?
A nossa grande falta de sorte foi admitir, período após período, o subir
ao poder e ao mando, de pequeninos homens, grandes porqueiras que, a
despeito dos diplomas, dos certificados ou apenas do polegar, se
nivelaram em gigantes do Materialismo, em anões do não conhecimento das
visões que trazem o verdadeiro valor da vida amplamente; mas sim e
seguramente, sob o in vitro da mediocridade, da pose e da vaidade.
O permitido da escolha do um a um por panfletagem, abre o que se pode
definir como o Direito torto; pois o votar daqueles que não têm o menor
alcance e discernimento, fatalmente, dá a corda aos seus algozes. Não é
Justiça Cívica, e sim, injustiça cínica.
O que resulta disso são: meias-palavras, meias-ações, meias-verdades;
verdades, se em algum momento existem. No entronar aqueles que somente
têm o saber limitado ao aumento dos impostos, do gritante de uma dívida
ascendente e impagável, da injustiça social. Estas, para esse governar,
nunca se fizeram razões e alcance às figuras que, apenas, desejam ao seu
íntimo.
Se fôssemos buscar em regressão, não precisando nos aprofundar no muito
do passado, partindo-se tão-somente de vinte anos para a atualidade,
seria possível redigir-se o maior romance de incompetência, de descaso,
de desonestidade e de desmerecimento – para um ambíguo de povo co-autor,
leitor e personagem.
Agora, tardiamente, como se encontrar uma alternativa, se no país,
rigorosamente, está tudo errado de cabo a rabo? Que o repique dos sinos
das igrejas, sempre quando escutado, seja um chamamento e sentimento à
razão, trazendo a responsabilidade de mudar para melhor, em definitivo,
o nosso país. Se as nossas razões são tantas e tantas, uma apurada
audição torna-se irretorquível e imprescindível!
AS MALAS E OS MALAS
Aos eleitores, as malas de dinheiro provam o votar errado.
Aos fiéis, as malas de dinheiro provam o rezar errado.
No meio de tantas malas de dinheiro, estão os malas espertalhões, que
fazem dos eleitores e dos fiéis desavisados verdadeiras mulas.
A burrice, de quando em vez, diverte, mas se repetida, irrita!
Será possível que em pleno século XXI ainda existam tantos idiotas?
Para votar, ainda existe, infelizmente, o intermediário da ação. Mas
para rezar, nunca foi preciso intermediação. Quem remunera os
traficantes da fé, fazem-no não somente pela burrice; tentam também
subornar a Crença Maior, esquecendo que Ela não é atrelada aos valores
materiais, mas é muito atenta aos brilhos espirituais.
Por favor, na hora de votar ou rezar, não se esqueça do seu bolso e,
muito menos, de deixar enfiar a mão nele.
Tudo na vida tem limite. Até para idiotismo. Viu?
(16 de julho/2005)
CooJornal no 429