16/07/2005
Ano 8 - Número 429


 


Como fez diferença
Humanos, berrantes e aberrações
Política a la carte
Por que somente o cigarro?
Vender fé é um bom negócio
Verdades ofídias


 
Arnaldo Massari

 

OS TANTOS ERROS E AS MUITAS RAZÕES

 


Aqui, onde nós estamos e que conhecemos muito bem, não é uma fantasia – mas dura realidade.

Somos obrigados a buscar o alento em algum canto do nosso equilíbrio, nas muitas vezes fora das nossas forças, da nossa compreensão. Agüentar o que aí está, em repetido e eterno, não é para qualquer povo, por mais pacífico e paciente que seja.

As nossas faltas? Ah! os nossos excessos!

Como é possível remir erros em perpétuo, se as correções são sempre feitas pela erronia? Como avaliar, dentro de tantos erros sobrepostos e com todos os matizes arraigados e acumulados, alguma verdadeira cor que não apresentasse gradação?

A nossa grande falta de sorte foi admitir, período após período, o subir ao poder e ao mando, de pequeninos homens, grandes porqueiras que, a despeito dos diplomas, dos certificados ou apenas do polegar, se nivelaram em gigantes do Materialismo, em anões do não conhecimento das visões que trazem o verdadeiro valor da vida amplamente; mas sim e seguramente, sob o in vitro da mediocridade, da pose e da vaidade.

O permitido da escolha do um a um por panfletagem, abre o que se pode definir como o Direito torto; pois o votar daqueles que não têm o menor alcance e discernimento, fatalmente, dá a corda aos seus algozes. Não é Justiça Cívica, e sim, injustiça cínica.

O que resulta disso são: meias-palavras, meias-ações, meias-verdades; verdades, se em algum momento existem. No entronar aqueles que somente têm o saber limitado ao aumento dos impostos, do gritante de uma dívida ascendente e impagável, da injustiça social. Estas, para esse governar, nunca se fizeram razões e alcance às figuras que, apenas, desejam ao seu íntimo.

Se fôssemos buscar em regressão, não precisando nos aprofundar no muito do passado, partindo-se tão-somente de vinte anos para a atualidade, seria possível redigir-se o maior romance de incompetência, de descaso, de desonestidade e de desmerecimento – para um ambíguo de povo co-autor, leitor e personagem.

Agora, tardiamente, como se encontrar uma alternativa, se no país, rigorosamente, está tudo errado de cabo a rabo? Que o repique dos sinos das igrejas, sempre quando escutado, seja um chamamento e sentimento à razão, trazendo a responsabilidade de mudar para melhor, em definitivo, o nosso país. Se as nossas razões são tantas e tantas, uma apurada audição torna-se irretorquível e imprescindível!


AS MALAS E OS MALAS

Aos eleitores, as malas de dinheiro provam o votar errado.
Aos fiéis, as malas de dinheiro provam o rezar errado.

No meio de tantas malas de dinheiro, estão os malas espertalhões, que fazem dos eleitores e dos fiéis desavisados verdadeiras mulas.

A burrice, de quando em vez, diverte, mas se repetida, irrita!

Será possível que em pleno século XXI ainda existam tantos idiotas?

Para votar, ainda existe, infelizmente, o intermediário da ação. Mas para rezar, nunca foi preciso intermediação. Quem remunera os traficantes da fé, fazem-no não somente pela burrice; tentam também subornar a Crença Maior, esquecendo que Ela não é atrelada aos valores materiais, mas é muito atenta aos brilhos espirituais.

Por favor, na hora de votar ou rezar, não se esqueça do seu bolso e, muito menos, de deixar enfiar a mão nele.

Tudo na vida tem limite. Até para idiotismo. Viu?



(16 de julho/2005)
CooJornal no 429


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br