06/08/2005
Ano 8 - Número 436


 

Como fez diferença
Humanos, berrantes e aberrações
Os tantos erros e as muitas razões
Política a la carte
Por pontos, sim, por notas, não
Por que somente o cigarro?
Vender fé é um bom negócio
Verdades ofídias




 
Arnaldo Massari

 

VISITAS

 

Em visitante ou visitado, apresentam-se à baila: o que foi, o que é, e o do ainda desconhecido.

Ida a museus, sob boa observação e deferência ao passado, permite transportar para o presente da imaginação, grandes e pequeninas coisas desse Então.

O sem-número de objetos e estatutários permite, com certo zelo e boa construção, imaginar muitas vidas, muitos sonhos, muitos valores depositados aleatoriamente à lembrança dos vivos. Menos os escritos, que, peremptoriamente, são consignados como libelos do saber, sentir, em legados ao aprendizado e dos costumes.

Para o bom analítico e detalhista, é uma reconvenção do tempo, o qual, assim permite e permeia fantasias e existências, naquele momento, para o bem perto do real. É muito agradável viajar aos idos e acontecidos no que institui o doce das lembranças.

Já as visitas ao presente, entanto e em certos casos, poderão ser completamente dispensáveis. Tanto pela ida quanto pela chegada.

Fazendo cento e oitenta graus, pode-se também encarar o futuro, em uma viagem ao modernismo e à evolução. Para tanto, os parâmetros do vislumbre ficam livres para o vaguear pelas coisas extraordinárias e, sequer, ainda, não concebidas nas mais intempestivas miradas futuristas.

O temerário para o futuro, porém, queda-se no comportamento humano; do qual será? – considerando que a tecnologia traz no seu través, invariavelmente, a frieza, o desmerecimento e o descaso para os valores tácitos da Criação. Mesmo no agora desta atualidade, já alija em menor avaliação e exclui sem pedir licença. O poder dos atos do saber, da riqueza e do domínio, neste dia-a-dia, comporta-se em oblíquo à avaliação dos reclames da fraqueza e da necessidade. O que esperar para o depois?

Nesse tal futuro, em subserviente, poderá acontecer o desconjuro. Talvez, literalmente, voltando aos Feudos e aos Vassalos.

Amenizando os temores ao desconhecido, também se pode dar ênfase a outras e muito variadas, peculiares e hilárias modalidades de visitas. Algumas bem agradáveis, com esse ou aquele perigo, ou, ainda e felizmente, revestidas de bons e instigantes motivos.

Uma visita a uma mulher casada, apesar de robustecida pelo complicador da presença com a ausência, da aventura e do medo, e, ainda, para o desfrute do que não foi relegado ao passado e tampouco aberto aos visitantes, mesmo assim, o inusitado contemplar e sentir representam.

Existem também outros tipos de visitantes. Esperados e inesperados: o correio, os vendedores que batem à porta, os cobradores e, de quando em vez, certos Oficiais de Justiça. Mas tudo é visita.

Para aqueles anfitriões ou convidados que não sabem devidamente sub-rogar ou desfrutar as frutas maduras, para esses, de nada adiantariam os indefectíveis cartões de visita.

A vida somente não é formidável aos maus observadores: que não sabem avaliar, observar ou degustar no tempo diminuto que cada um tem. Viver é receber em visita ou visitar! Sem cerimônia e com muito carinho! Com as flores da alegria ou da tristeza!



(06 de agosto/2005)
CooJornal no 436


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-049.htm