
10/09/2005
Ano 8 - Número 441

Como fez diferença
Gratuidade ou acuidade?
Humanos, berrantes e aberrações
O caos é brasileiro
Os tantos erros e as muitas razões
Política a la carte
Por pontos, sim, por notas, não
Por que somente o cigarro?
Vender fé é um bom negócio
Verdades ofídias
Visitas
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Arnaldo Massari
CAMISA DE FORÇA
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A perpetuidade da colossal dívida brasileira, construída ao longo do tempo
por políticas irresponsáveis, que pouco se importaram pelo advir após os
mandatos, apresenta-se a todos os brasileiros como muralha ao
desenvolvimento do país, trazendo todas as peias e perjúrios sobre os
ombros de quem não a contraiu, e, muito menos, foi o beneficiado; mas,
arcando desde o primeiro choro até a última vela, com os efeitos
usurpadores da inclemência, do indecente e extraordinário passivo.
Dessa fábula de dinheiro, de que não se sentiu nem o cheiro, esconde-se
uma caixa preta de sucedidos que, talvez, nem Jesus Cristo
entenderia. Mas, o fato é que Ela aí está - fulgurante e ativa, solapando
seguidamente, geração a geração, os mais elementares dividendos sociais.
Toda a classe política sabe, e muito bem, que o entrave maior do país é a
sua dívida. Que tal estar em torno de 1 trilhão e 500 bilhões de reais? Se
fosse sendo paga ao invés de aumentada, seria amortização para quantas e
quantas gerações de pagantes? Enaltecendo aqueles que já morreram, pagaram
e nada tiveram ao seu crédito.
Essa dívida, como sempre foi administrada, é absolutamente
impagável, impondo uma eterna camisa de força ao desenvolvimento do país e
aos seus cidadãos.
O fato é absolutamente concreto à realidade das pessoas comuns – a maioria
– mas, totalmente abstrato na visão dos governantes; não pelo mérito e a
importância, mas, sim, talvez, como um caso perdido ao sabor do que der e
vier – do salve-se quem puder. Enxergar maior: há grande interesse de
muitos, muitos mesmo, para que nada mude.
O verberante da eterna falta de verba advém da Educação, agora em apelo.
Fala-se de um seminário com um rebuscado nome: Educação e Investimento –
Conversão da Dívida para o Desenvolvimento. Basicamente, é uma pleiteada
ajuda, um mini-perdão, uma pequena esmola para um país tão rico que, sendo
varrida das beiradas da dívida, supra algumas carências na área da
Educação.
O palavrório diz: - “para que países devedores possam continuar
honrando suas dívidas no futuro. Não haverá economia sustentável nem
garantia da manutenção dos contratos, se a educação não estiver no centro
da sustentabilidade (do sustentável). Investimentos na educação e projetos
para a formação de professores.”
Ora, para dar-se um calote, não haveria a necessidade do letrado. Um
calote analfabeto ou acadêmico não trará diferença alguma – apenas
endossará o balão.
Essas assertivas para encher texto de discurso, apesar de eloqüentes,
apenas significam um pelo amor de Deus. A redundância é por demais
conhecida dos credores. Estes sabem de tudo:- menos, até quando vai durar
a bestice dos povos endividados.
O entortar gravíssimo que a dívida impõe ao país é ratificado pelo
espírito do tal seminário. Busca a ajuda de alguns milhões de dólares, que
representariam as moedas de pequeno valor da dívida em si.
Os únicos que poderiam desamarrar essa camisa de força seriam: ou o
Bocage, ou o Einstein; e não - pelos eternos excluídos do bom senso!
(10 de setembro/2005)
CooJornal no 441
Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-049.htm
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