29/10/2005
Ano 8 - Número 448


 

Camisa de força
Como fez diferença
Edital
Gratuidade ou acuidade?
Humanos, berrantes e aberrações
O caos é brasileiro
Os tantos erros e as muitas razões
Política a la carte
Por pontos, sim, por notas, não
Por que somente o cigarro?
Vender fé é um bom negócio
Verdades ofídias
Visitas




 
Arnaldo Massari

 

CABEÇAS, OLHARES E SORRISOS

 

As cabeças apresentam formatos e tamanhos vários, com ramas ou fios de cabelos – pouco importando. O que conta é o que está lá dentro.

Os matizes das multicores dos olhos não estabelecem visão privilegiada, apenas o precípuo do enxergar. No entanto, o fitar de um olhar não é cego ao entendimento, transmitindo muito mais do que as palavras.

As bocas apresentam lábios dos mais variados contornos. Quando caladas, basta uma contração facial para alterar, junto com os olhos, todo um semblante, uma inteira reação de sentença.

Apesar de nos animais as orelhas denunciarem sentidos, nos humanos apenas servem para ajudar a audição do necessário e, também, do desnecessário; tal e qual o nariz, muitas vezes invasor.

Portanto, o que se fala ou o que se escreve, entrementes, poderá não trazer a expressão verdadeira ou a lisura da proposição – enquanto uma cara silenciosa poderá transmitir a platéias!

A beleza de um rosto não pressupõe a franqueza de um gosto. A feiúra de uma face não denota uma ação conseqüente, provando que os enganos estão sempre escondidos dentro de cada cabeça. Em si, e para os outros.

O arraigado ingênuo de cada comportamental sempre foi inerente aos efeitos que podem causar em benefício daquele. Já as expressões faciais, mesmo que sob o maior esforço em dissimular a repulsa ou o interesse, a alegria ou o medo, condena-se por si só. Os careteiros da teatralidade são uma maioria que teima e que nega os perdões da razão, pelo fato de seus Presentes assim agirem também. Como nunca houve mudança de comportamento, a ilusão fixou-se em verdadeira, quase sempre.

Para que mentir, para que fingir, quando a verdade e a certeza são os únicos valores que todos buscam? Por que a incoerência? Por que a defesa e não a união?

Essas fisionomias, tão repetidas de repetência, querem parecer que já não mais espelham qualquer sentimento verdadeiro das entranhas de cada eu, quiçá adormecidos ou, sequer, como existentes.

A superficialidade e o imediatismo, o egoísmo e a vaidade extrapolaram os verdadeiros caminhos do existir, fazendo com que a infelicidade, o desconcertante e o desalento sejam os ares de cada dia.

Por que não pensar diferente? Por que não o aprendizado sob os tantos erros crassos? – pois assim, seguramente, o viver seria bem melhor.

Ah! cabeças - tirem os seus chapéus. Ah! olhos - alcancem os horizontes. Ah! lábios - promulguem o sorriso sincero!



(29 de outubro/2005)
CooJornal no 448


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-049.htm