01/01/2006
Ano 8 - Número 457


 

Cabeças, olhares e sorrisos
Camisa de força
Como fez diferença
Edital
Gratuidade ou acuidade?
Humanos, berrantes e aberrações
O caos é brasileiro
Os tantos erros e as muitas razões
Política a la carte
Por pontos, sim, por notas, não
Por que somente o cigarro?
Vender fé é um bom negócio
Verdades ofídias
Visitas




 
Arnaldo Massari

 

DO CAIXA AO CAIXÃO

 

 

Quem foi o imbecil que inventou o dinheiro?  Esse famigerado inventor não sabia que iria escravizar todos os viventes, e que essa dependência seria a determinante para a compra e a venda indiscriminada das inconsciências?  E os conscientes, como se arranjaram até hoje,  sem dinheiro, injustiçados e frustrados?

 

A paga é a saga do adquirir, já dizia sabiamente a cobrança.  A remuneração é o instrumento do passe livre à necessidade ou à vontade.  Sejam elas legítimas, ilegítimas ou no médio da propina.  Essa história de gratuidade traz sempre uma grande vontade de rir.  Não ergue a taça no satisfatório da convivência e tampouco assegura a continuidade do brindar.

 

Estamos no irreversível de um mundo capitalista que, quando em parte era comunista, mesmo assim, praticava o capitalismo – com a pequena diferença da grande injustiça, pois se tratava de idêntica ordem, isto é: o conforto e as posses para a cúpula que copulava todos os demais.

 

Esse tal de dinheiro, de que muitos não sentem nem o cheiro, pode ser falso ou verdadeiro, no depender do seu uso.  No seu abuso ou na sua falta, é sempre o peralta dos mais inusitados atos.

 

Se você quiser ser um pária da Vida, experimente endividar-se e ficar sem nenhum!  Nessa eventual penúria, mesmo que você seja um bom homem, em nada adiantará.  Já no caso de uma mulher boa, talvez, não fique completamente à toa.

 

O dinheiro de plástico, matreiro e sarcástico, faz o menor caminho entre as compras e o descrédito.  Envolvendo-se em contas e correntes, você vira um otário, deixando todo o salário, nos caixas e nos cartórios.

 

Para sobreviver e não sofrer, compre tudo a dinheiro, aposentando, de vez, o banqueiro! Trata-se de uma eterna vigília para não quebrar a família.  Faça juras aos juros altos para não viver nos sobressaltos.

 

Como todos podem ver, o dinheiro compra tudo, menos o caixão; este, seguramente, será pago por outrem.  Sem dívidas, e para não haver dúvidas, deixe sempre algum separado, para quando for enterrado...



(01 de janeiro/2006)
CooJornal no 457


Arnaldo Massari
escritor
SP
arnaldomassari@uol.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-049.htm