Chegamos ao século XXII. Quantas coisas, poucas
coisas!
Vemos prédios gigantescos, centenas de andares, cidades verticais,
armadilhas mortais aos terremotos e aos incêndios. Erguidos um a um nas
disputas e pelas auras da admiração. Nos incoerentes exibicionistas e
nos inconsistentes da vaidade. Os humanos continuam entendendo a tudo
poder enfrentar com os seus passos de tropeços.
Viajamos em trens velozes, moderníssimos, movidos à energia limpa, num
até que enfim conseguiram ver a incoerência das estradas com milhões de
automóveis. Do perigo do tráfego aéreo cada vez mais denso para as
curtas distâncias – imbecilidades do século que passou.
Lemos e vemos no noticiário judeus e palestinos engalfinhando-se.
Regularmente, na troca de bombas sobre cabeças mútuas. Muitas preces às
alturas e pouco prezar a uma inteligente e necessária convivência.
Ademais, restando de implicado que, território dividido à revelia e com
minoria simples de votos – coisa meio que feita em cima da perna –,
nunca poderia trazer a paz!
Desfrutamos dos avanços notáveis da ciência médica. Infelizmente,
apenas, no de cuidar o físico dos corpos.
Barbaridades ao biológico! O Antrax e outros específicos que as mentes
mórbidas concebem e, ainda, em estocado ao respaldo, o do nuclear em
proporções globais.
Continua, como sempre foi, a coisa estéril e pernóstica que advêm desde
o antes e do atrás das Calendas Gregas: o do presunçoso! Querendo
parecer que se fez ao tamanho de uma permanente consciência etílica.
Triste existente, hilário de figuras que se dizem em gente.
O pedantismo perdulário, aquele que contesta os limites da razão e peita
uma realidade maior tão diversa, estendeu-se definitivamente na
credulidade da insensatez. A irresponsabilidade em profundidade ao do
vazio nunca esteve em tão raso.
Foi conseguido! As florestas viraram carvão – as planícies, pastos. A
fauna e a flora das expressivas gradações de cores, agora, apenas em
cromos. A botânica medicinal, em anotados ilustrativos. Derrubar árvores
– as poucas que restaram – tornou-se crime contra a Humanidade.
Tardiamente!
Os exortares e as ações do Greenpeace ficaram, apenas, no bem-aventurado
das valorosas tentativas. São, agora, filosóficos em bibliográficos.
Governos e indivíduos inexpressivos, em comportamentos seguidos e
inalterados, assim construíram as prateleiras ao do guardar aquelas
valiosíssimas razões.
A água, racionada, é tão poluída que o melhor é beber refrigerante. Não
pela pureza e pelo saudável, mas para disfarçar o gosto. Não é
brincadeira o que quinze bilhões de indivíduos produzem sem parar em
líquidos e em pastosos.
De quando em vez, toureiros pagam pelos seus débitos. Do outro lado, a
creofagia! Ávidos maxilares mastigando carcaças de então indefesos.
Costume selvagem que advém das Cavernas. Em terra firme, mas, não em tão
assim, os japoneses continuam fabricando coisas úteis e bugigangas
inúteis. No mar, manchando os oceanos de sangue, sob um irreverente e
indecente proceder. A piedade não existe no idioma. Tampouco no
sentimento.
Em perguntados e em perguntarmos: Que qual realidade de horrível mundo é
esse, em que os animais são opacos objetos do dispor? Numa percepção
covarde, indigna, grosseira.
O Civilizado permanece como diamante. Quando aventado em pressuposto, é
assertiva rente e pretensiosa, bem ao molde inconseqüente do perene dos
reais. Em enfunado! – Dúvidas? Basta regredir ao passado e atentar no
presente, em acuradas observações. Toda essa realidade em relação e
princípio é ao tamanho exato daquelas não consciências. O que existe,
tão-somente, são preciosos de salvados. Em lúcidos diferenciados.
Verdadeiro destoar feliz do estado preponderante da barbaria.
O ao do sexo aventura deixou de ser o tão besteirento de escondidos. As
escrituras do bem-querer, aquelas que nunca se fizeram em bem lavradas,
acabaram de vez. A prostituição, que nunca foi ao pior de alguém, apenas
abertura de furor ou fechamento pela necessidade, não mais existe no
discriminatório. Escancarou-se em moeda de troca, na integralidade do
que sempre existiu. Saiu dos particulares velados das mais variadas
telas e molduras. Pelo total do desamor. Pelo grande do interesseiro.
Tudo, agora, por fim, está em bem-mostrados. O cinismo da integridade
moral poetizou-se! Contudo, ainda, remanescem alguns teimosos
versejadores.
Os insucessos dos renitentes modelos de vida tornaram-se agravados.
Coisas então do sentimento puro, quase que adormecidas sob as ameaças e
nos confrontos que mais impõem do que brindam. São raríssimas de legados
em bem intencionados de gratuito.
Neste presente, qualquer pessoa pode alugar o seu par. No igual ou no
diferente do sexo e, nos preferenciais da sexualidade às taras e aos
caprichos do mesclar definidas emoções. Períodos não contam. Sim, a
satisfação. Esse determinante será pelo desfrute ao do devotado, em
qualquer hora, posição ou lugar, no isento de compromissos. Quando dos
calotes, continuam a existir as despedidas no tapa.
O desvestir, o curtir do alugado em feminino, funda-se primordialmente,
valorizando o estado de conservação do corpo em não muito de malhado –
novo, mas já cansado; naquele prevalente de um decadente prematuro. No
mais, a apresentação geral e a idade. Um rosto bonito pode trazer algum
diferencial. Contudo, curiosamente, a preferência é muito mais
solicitante ao encorajador estético de Raimunda. Sob um certo antagônico
e categórico preceito de formosura.
Deveras, quanto mais forem os tracejados exultantes ao do prazer, ao do
tato não decepcionante, mais elevado o remuneratório. A feiúra da
magreza em acanhado de eletrizantes, em mal provido de rotundos, é o que
se tem de mais em conta. Afinal, além do democrático às escolhas,
contempla os terríveis enganos de lívidos corpos. Assim, sobremaneira,
facilitando para aqueles que pouco podem pagar.
Ao do ereto masculino, aos que cobram menos e fazem mais. Entretanto,
preferenciais, também, aos que nada fazem – retribuindo em dobro o do
pagamento.
Filhos tornaram-se personagens objeto de contratos. Dá para sentir-se a
evolução do esfacelamento familiar.
As grandes platéias continuam a não ter opinião própria. São
reconhecidamente seguidoras dos exemplos aleatoriamente jubilados. Sejam
eles comprovadamente válidos ou, definitivamente, sem valor, beleza,
zelo, conteúdo ou operante algum.
A inveja, assídua e perfeitamente assada, em pequenos enormes. No
escondido ou no atrevido, demonstrando o invariável da pequenez mental.
As críticas do despeito chegam pelo silêncio ou pelos berros.
Reverberantes bem antigos...
Os preceitos bizarros, em coisa cômica e acreditada. O sentido à lógica,
teimosamente, segue franzindo-se, apesar do comprovado de não haver
tecnologia ou arrependimento que neutralize a burrice celebrada.
As disputas por espaços de trabalho enaltecem moderna e peculiar
escravização. Não há mais os açoites, mas os pernoites em longas filas
na expectativa de um emprego para, quem sabe, passar menos fome.
O significado do que é privacidade apenas restou-se em verbete de
dicionário. O Civil e o Econômico são enxovalhados pela curiosidade
enfermiça do atrevimento. Cada vez mais em ventas do que em vênias.
Existe uma nova classe de pessoas: os sem esperança! Hordas de
indivíduos que, já em rés de massacrados por um sistema injusto e
fundamente individualista, agora, pela aridez dos seus lugares de
pobreza, nem do chão podem mais dispor!
Os retirantes climáticos, em fantásticas multidões, estão sendo
explorados e escorraçados. Ratificando os clássicos ao do interesseiro,
ao do desdém, ao da omissão.
A tristeza tem acertado no endereço muito mais do que a alegria.
Visitadora regular, vagante sem cerimônia. Talvez em resultante dos
tantos desmandos acumulados pela corrida paranóica aos não edificantes.
Difícil é identificar as expressões verdadeiras, na multiplicidade dos
olhares e das contrações faciais. O dissimulado é ordem e razão. Trazem
corriqueiramente o complicador da não certeza. A verdade desvalida e a
mentira deslavada em cada vez de maiores contínuos. O ao acreditar
tornou-se um grande risco. Fato é que a inverdade, agora, está
devidamente caracterizada. A verdade, somente através dos detectores.
Ainda assim, em aparelhos não advindos do Paraguai.
As rezas! Nunca se rezou tanto... Não é para menos! Apesar do entoar das
preces, dos semânticos e dos cânticos à bondade, o tamanho e o
comportamento dos homens rigorosamente sobejam em igual. Após missa e
vigário, a crassa preguiça ao do solidário.
De través, o moderno Negócio da Fé, amorfo de tradição, floresce e
aquece gordas contas bancárias. Quem não fica multimilionário com
platéias diárias, em várias sessões, revezando-se em doações? O de
querer comprar quimeras nunca foi transgressão. Apenas de um idiótico
sem-par. Entrementes, sem de milagre, mas com um certo de vinagre, os
obreiros diminuíram e os sacos das doações afilaram-se. Em conclusão,
após muitas décadas, aqueles que, em crendice, em idiotice e em pecado
venial queriam subornar a Crença Maior, viram-se em otários. Dinheiro é
coisa terrena, não celestial. A Grande Bondade jamais precisou de
tesoureiros. Tampouco de intempestivos ad-hocs.
Sem algum bem-posto varejo de sonhos, de ilusão, a realidade é uma
ameaça bem conhecida dos mercadores de volição. Assim renovam-se com os
inocentes da vez...
Continua acontecendo curiosa mágica. Inúmeras instituições sem fins
lucrativos seguem geometricamente aumentando o seu patrimônio.
O norte-americano continua a falar em milhões de dólares. O
sul-americano, em juros altos e sobressaltos. O europeu, junto com o
judeu que está em todo lugar, procurando expulsar os africanos e os
muçulmanos. Um verdadeiro frege.
Nas cores, tudo ficou mais vermelho. Menos a vergonha!
A Economia Mundial continua fortemente estruturada dentro de muros cada
vez mais altos. Dos seletos aproveitadores aos completos dos
aproveitares. Naquele nunca do contemplar ao bem-estar das
coletividades, ao profícuo do trabalho, a estabilidade do social.
Remindo riqueza em números ilógicos, cumprindo a todos eles, em
crescente. Semper avarus eget – o avarento sempre necessita (Horácio).
Milhões de crianças continuam descalças. Mesmo com os penetrais da
Ciência, pelo nada de consciência, o pão continua a ser negado a
multidões.
Nessa evolução involuntária, nesse sacrossanto dos viveres, resta em
inalterado o do pretensioso e o do arrogante. Aqueles agires e
procederes, frios, que mesmo em nada valendo, insistem ao do de augusto.
Em pilares e em Pilatus. Enfermidade ainda não devidamente identificada,
lesão mental que aflora quando o do poder e o da riqueza, o do mando
chegam em dádivas ou em arrestos às mãos desses tontos.
O preconceito, fatuidade escondida em fala e pujante no efeito, continua
acreditando em sangues não vermelhos. Nas placentas diferenciadas... É
marca registrada de complexos e reflexos de incontáveis arrepios. Em
sórdida pequenez. Dos poros aos porões. Coisa eterna. Aos advires e aos
cumprires de muitos séculos mais...
A grata grandeza dos justos enlaces, a realidade da vida verdade quando
em iluminada, a poesia e o encanto restaram-se em poucos de desdobrados
requintes. Em restritos e expressivos refinamentos. Dificílimos aos
veres. Unicamente, em diminuto no meio de um vasto que sempre esteve em
regularmente perdido.
O do Humano pouco muda. É carente dos sentidos aos alcances da glória.
Mal vê dentro de si, quer enxergar à maior. Somente escuta, diz ou faz o
que lhe convém. Nada aprende, tudo sabe. Continua no rematado e no
elementar das tantas grandes lições. Na busca insistente ao acabar-se em
adiantado.
Esses fatos e esses atos são frutos e feitos de uma não fertilidade à
grandeza espiritual. Em jacas ou em pitangas, no grande ou no pequeno,
com as doçuras não imprimindo o menor rigor.
A busca por certa igualdade, por mais em subjetivo ao que seja, ainda,
em verdadeiro, é encontrada nos democráticos do sol, do ar, da chuva e
da morte. Todavia, com os seus riscos, excessos, faltas, padecimentos e,
quiçá, prazeres. Em advires de outrem, decerto e em seguro, nas
invariáveis parolices do formidável cinismo.
Apesar das todas vontades, das poucas sublimidades e dos muitos vazios,
dos pândegos acreditares absurdos, ninguém ultrapassou o do seu incerto
de idade. Chegaram em tempo e hora com as suas indefectíveis presenças.
Ao mesmo coletivo, sob um mesmo inesperado, ao tão igual das conhecidas
cenas finitas.
(05 de
abril/2008)
CooJornal
no 575