Muito bonita, sob as tranças da juventude e pelos tracejados felizes bem
aparentes, tendo feito as suas regulares e antecipadas aberturas de
praxe, acercando-se dos quase trinta anos, resolvia fechar questão ao do
casamento. Começava a aperceber-se do etário temerário. Daquele que
institui, em nada contribui! Entretanto, apostava em suas cartas pelas
fortes razões das copas e dos paus.
Sempre sendo mais vista do que via, repentinamente, ascendeu-se na
atenção. O que esteve no despercebido, sem nenhum sentido, passava,
então, a ser objeto e objetivo. Delineado ficava o que bem queria: um
guapo bem-sucedido, hígido, no pertinho do grisalho. Aquele do olhar
determinante e coadjuvante. Bem provido e provedor às ansiedades
feminis, provador emérito de longa data. Enfim, com muita prática na
temática variada. Seguro de si, confiante e dominante. Apenas, como
todos, naquela cegueira em que nem binóculo faz enxergar.
Não demorou... As rolhas do champagne espocaram em conjunto com
as luzes das fotos. Um sonho realizava-se. Aquele véu, não muito
mandatário, porém, institucionalizava a vontade e a razão para um
comportamento bem diferente. Sossegado ao do então diverso – o das
proas e das popas às guinadas dos ventos e dos velames. No começo, os
resorts, o caviar, limousines, alta costura, mídia!
Verdadeiro desbunde...
Vivendo e acontecendo! A vida corre e escorre como um filete d’água.
Quase imperceptível. Rigorosa, nada harmoniosa. O calendário não
segura nem um pouco o cair das suas folhas. Recordares aos em céus de
ontem, nos chãos do hoje. Subseqüências que não sustentam tão-somente
os prazeres, os aconteceres amenos. Trazem, igualmente, as sínteses de
coisas outras. – Como são inúmeras!
De maneira muito diversa, perversa, às vezes, acontecem os desgastes e
os desgastantes. Sob todas as ordens, nomenclaturas, observações e
conteúdos. Em falados ou em fadados, cunho é que, relacionamento a dois
mais destempera do que contempla. É quando o compulsório das aceitações
mútuas se faz em conquista ao do dia seguinte. Paciente vitória para os
sábios do equilíbrio ao do prosseguir sob o mesmo teto. No desfrute da
mesma teta, do mesmo peito.
Apenas para constar, não tanto ao de preocupar ou assustar, há casos nos
matrimoniais em que uma terceira pessoa pode resolver. No sabido
escondido, ou em ostensivo partilhado! Nesse sintomático, o que não
pode haver é o egoísta. Fica ruim. Traz implicações outras...
Não obstante, formalizações e açodamentos, fora à parte.
Voltando ao marido deste então, cheiroso e charmoso, envolvido nos
negócios até o pescoço. Ânsia ao que nada traz! Apenas ao bolso dos
herdeiros. Com mais presença naquelas reuniões dos errares em
democrático, ao do que no desfrute do abraço e da cama não
interesseira. Contumaz ausente do onde deveria estar presente, em
efetivo! Mesmo que ainda fosse sob uma necessária criatividade, algo
parecido e despendido no do negocista. Ainda assim, curiosamente, livre
das rígidas protuberâncias cranianas. Agraciado pelo simples
cumprimento das juras daquele capcioso véu do enlace. Avis rara...
O tempo segue rápido, resoluto, não clemente! Nem sequer avisa, porque
assim não precisa. Supressivo, é possessivo de destinos. Cerimonial,
nunca cerimonioso!
A verdade do feliz é transitória fantasia. Não segue em igual sempre ao
depois. É irregular de ímpares e de pares em uma aritmética aleatória.
Em intempestivo, traz os piripaques. Não escolhe a idade, não
ratifica qualquer vontade. Considera os em não considerados.
Aquele Executivo não tão executante! Sim, e muito, mantenedor das
incontáveis vitrinas da feminilidade. Ardoroso negocista que, num
extemporâneo e repentino desavisado de alfaiataria, ganha um requintado
e vistoso paletó de madeira.
No ínterim daquele baixar à sepultura, em presencial e atraente viuvez,
aquele vulcão dispunha-se no temporário das próprias lavas. No
entremeio do funeral, discretamente, lá já estavam os olhares ao
recém-disponibilizado. Sedentos ao cedido. Diversos fitares masculinos
dissimulados, lânguidos de pesar momentâneo, ordinários em essência.
Construindo em mental, sem perda de tempo, uma voluptuosa conciliação de
prazeres. Aqueles irromperes aos caminhos novos, nos dadivosos das
viúvas frescas.
Na volta, em casa, desnudando-se do seu impecável vestido preto, o
primeiro comparecimento foi ao do espelho. Lá, via uma bela fêmea no
pilar dos seus recém-passados quarenta anos. Contudo, a famigerada
decadência corporal, em manso, no ranço, começava no seu de
irreversível.
A expressão daquela então beleza não mais era a da tanta certeza ao do
masculino exigente – o refinado em bem-acostumado. Dava lugar a muitas
temerosas dúvidas e aflições. Olhava para as suas coxas! Os seus
peitos não mais eram aqueles parecidos com ganchos. Não bastante haver
em tamanho! A rigidez e o formato são determinantes! Merde!
Após a missa do sétimo dia, algo precisava ser feito! Uma vontade
imensa ao prazer desmedido e ao não tempo a perder aplacava-se em riste
de desagravo:
— Que o prezado descanse em paz!
Afinal, por que não escancarar dentro de quatro paredes, em duas ou
quatro portas? Ninguém sabendo, vendo, não haverá o deitar das falas.
O cuidado que o agora apresenta é bem outro: a quem, onde, quando?
Mostrar a coisa mais antiga e conhecida do mundo é sempre novidade para
quem ainda não viu. Entretanto, a curiosidade tem limites.
É preciso ter em mente que validade e vontade não se coadunam. Não
adianta somente querer exibir, dar. É preciso haver o conteúdo e, não o
combalido. As desistências podem ser frustrantes. Insurretas! Vá que
no passar do tempo ninguém queira!... Melhor agora, em sussurros, em
gemidos ou em urros – pouco importa – do que ter de mais tarde apelar
para o Turismo Sexual: pegando e pagando...
A juventude é um prêmio ultra-fugidiço. O adulto, quando em
conseqüente, é a gritante verificação. A velhice, apenas, o pesado
fardo do tudo que chegou sem muito avisar.
Sem os exultantes, um burlesco de corporal, mesmo que em réplicas de
súplicas, é encontrar o alguém para dar a cobertura. Os samaritanos são
raríssimos!
O sentimento do em perdendo, naquele justapor, é o arauto para todas
as apressadas decisões: os sorrisos à procura de imissões. Realidade
inelutável!
A viuvez, quando atípica, não reluz e não deduz a coisa alguma de
passado. O que manda é o latejar da inquieta libido. Um grande e feroz
sentido ao do tempo.
Espólio de sexual valioso, novos legatários! A vida é mesmo assim:
rasa, irreverente, simplista. Aos que não concordam, o bastar da
leitura de um sem-número de páginas viradas.
Quase sempre, os mimos dos cônjuges, mesmo que em deixados valiosos
de feitos e feitios, em pelúcias e em carinhos havidos, no definitivo de
uma ausência, turvam-se. As resplandecências daquele tão dividido e
solidário restam-se, às vezes, no relicário de apenas longínquos e vagos
valores.
O materialismo afoga o sentimentalismo. O corpo e a alma sempre
foram inimigos declarados...
(12 de
abril/2008)
CooJornal
no 576