Na primavera da tua vida, me trouxeste em botão. Flori no canteiro dos
teus carinhos, no romeiro da tua singular dedicação.
Abrigado sob o teu amor, cresci ao sol e ao saber da tua imagem. Com a
coragem que transmitias, nos olhares que davas ao entender e ao
caminhar.
Pelo cunho do teu colo, pela morada nos teus cuidados, os meus
acreditados se fizeram em ouros. De ti, os sorrisos largos que me
moldaram e me levaram aos felizes protocolos do viver. Fizeram muito ao
sentido os teus zelos, os teus apelos.
Agora, na alforria do meu de adulto, com mais lembrança e não presença,
reluto por não remanescer em tão perto, em tão rente. Mas, decerto, a
cada fim de semana, em carente dos teus abraços que fortalecem e
renovam.
Constantemente, me indago aos teus afagos. Temo pelo outono das folhas
que caem. Aquelas que fazem dos passos e dos cabelos aos atropelos da
idade.
Quando um dia em só estiver, por mais que esse então da saudade fustigue
e castigue, em glória de pensamentos, voltarei a ser criança outra vez!
Revivendo o feliz de momentos únicos e distantes. Das amenidades e das
atendidas vontades.
Aos muitos pendores perdidos, aos inconfundíveis odores de casa de mãe!
(10 de
maio/2008)
CooJornal
no 580