31/05/2008
Ano11 - Número 583


 

ARQUIVO
ARNALDO MASSARI




 
Arnaldo Massari

 


MÃO DE VACA

 


Esse, vivendo no restritivo do pouco ir à sua algibeira, não prejudica em tanto e  todos.  Apenas a sua mulher, o seu único filho, raríssimos garçons, muitos aniversariantes, inúmeros anfitriões.

O fato dessa peculiar avidez e da auricular timidez aos outros no concernente ao do legar, por menor que seja, ao pedido, advém de uma compulsão ao do não gastar.  Não se pode dizer que é uma cretinice – apenas sovinice... 

Entrementes, existe uma classe diversa de indivíduos, seguramente advindos de parto não honesto, queiram ter nascido entre linhos ou trapos.  São figuras que se erigem à vida pela força do dinheiro retirado dos bolsos de outrem.  Nesse eterno quadrar, restam-se, em maioria, os alijados que valorizam o comedimento e a decência.

Os usurários são figuras que desconhecem limites, conveniências, premências.  Em cifras ou nas safras dos sociais.  Simplesmente não os vêem, não os sentem, não os reconhecem.

Atuam em solo ou em empresariais, sempre a maquinar brilhantes idéias. “Por que não fazer isso ou aquilo para render mais, para dar mais lucro?”  Mesmo a despeito dos ganhos exorbitantes, quedados em mal-postos de beneplácitos.

Os verdadeiros caçadores da boa-fé sabem que a pessoa comum é desarmada da maldade.  Que acredita e aceita até o ponto do escandaloso.  A figura bizarra e abusada do desonesto, amiúde escondida nos ternos e nos fraternos da aparência e da retórica, em geral, é dissimulada, arrogante e sem medos.  Não quer saber do país que o abriga.  Lá, continua e está, permanece, enquanto a sua gula, sem riscos, permita engolir o trabalho e a dignidade que nunca foram de seus.  Desestabilizar as  economias de praças e de países é, simplesmente, comportamento aos trunfos covardes.  Desconhecendo o sentido e o sentimento do que a decência traduz.

Entretanto, essa Raça depende em fundamental do aquiescente.  Da grande parcela populacional que se deixa assim ser explorada.  Há de se convir que, nas mais inusitadas entressafras, não pode haver os obedientes ao Consumo.  Também, e em muito igual, o açodamento em comprar ou contratar, movido por tesão ao conseguir e ao consumismo. 

Para que as situações econômicas adversas e ameaçadoras não retornem ou subsistam, o do deixar na prateleira, ignorar em audição e visão, é uma defesa que deve, sempre, ser muito valorizada.

A bondade, a complacência do poder econômico, ocorre, apenas, nos acordos.  Nunca em acordes.  Querer escutar música de instrumentos que inexistem, de notas que somente são reconhecidas pelos maços, realmente é de um boçal devaneio.

Entretanto, sonhar é acalanto.  Quem sabe se um dia nos produtos, o peso, a qualidade e a quantidade estarão em de bem-postos?   Quem sabe se um dia será possível cruzar o átrio do Banco D’Ajuda – o banco ao contrário?

- Sim, será possível quando o impossível acontecer...

 
  

(31 de maio/2008)
CooJornal no 583


Arnaldo Massari
escritor
Campinas - SP
arnaldo.massari@bol.com.br    
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-049.htm