14/07/2007
Ano 11 - Número 537


 

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MEMÓRIA DO ESPORTE

NBA nasce no pós-guerra e vira modelo

Edgard Alves

Há 61 anos, quando o mundo acordava do pesadelo marcado pelos horrores da Segunda Grande Guerra Mundial, nascia nos EUA a NBA (National Basketball Association), a liga profissional norte-americana de basquete.

A entidade, que apareceu cinco décadas depois do primeiro jogo profissional desse esporte (1896), virou modelo de modernismo. Seus negócios movimentam bilhões por ano no planeta.

É a organização mais desenvolvida no mundo do basquete. A tal ponto que a sigla NBA assumiu dupla identidade: virou marca (centenas de produtos, de bonés a vídeos) e sinônimo de basquete.

A liga surgiu como uma opção de empresários na caça aos dólares da geração de operários da produção de guerra, que se transformavam em novos consumidores.


Jogadores e dirigentes do Philadelphia Warrios, primeiro campeão (46-47)


O beisebol, o boxe e o hóquei sobre o gelo não esgotavam a demanda de consumo pelo esporte. Como na época os jovens se empolgavam com o basquete universitário, a transformação em negócio foi um passo curto.

Na verdade, a liga foi criada sob outro nome - BAA (Basketball Association of America) - e abrangia 11 equipes. No primeiro jogo, em 1º de novembro de 1946, o New York bateu o Toronto por 68 a 66.

A primeira temporada foi um fiasco de faturamento. Quatro equipes fecharam as portas.

Mas o negócio começou a decolar já no ano seguinte, com a contratação do pivô George Mikan - pelo carisma (jogava de óculos, como um "mortal") e altura, ele consagrou-se como o primeiro ídolo do basquete dos EUA.

A denominação atual só surgiu em 3 de agosto de 1949, quando a BAA englobou a rival National Basketball League. Em 1976, a NBA engoliu a ABA (American Basketball Association). Quatro times foram incorporados, aumentando para 22 no campeonato da liga.

As equipes da NBA têm donos (franquias) e, quando o faturamento não caminha dentro do previsto, a sede pode mudar. O Jazz é um exemplo. Nasceu em Nova Orleans, berço do jazz, e foi para Salt Lake City, Utah. Os Lakers eram de Minneapolis, região de lagos ("lakes"), mas se mudaram para Los Angeles.

As duas últimas franquias, que elevaram a 29 o total de times, foram concedidas ao Canadá, rompendo as fronteiras dos EUA. Os Raptors (de Toronto) e os Grizzlies (de Vancouver) pagaram, na época, cada um US$125 milhões pela vaga.



Galã míope foi o 1º super-herói da NBA

* Melchiades Filho

O primeiro super-herói da NBA enxergava mal e trançava as pernas ao correr. Seu superpoder? Ser o primeiro gigante no esporte que consagra as alturas.

A NBA (National Basketball Association) ainda se chamava BAA (Basketball Association of America) quando implorou pela ajuda do estudante de direito, à época com 23 anos e, pasme, apenas quatro de contato com a bola.

A liga profissional completava, em 1948, dois anos de prejuízos. Seus dirigentes precisavam urgentemente de uma atração.

Branco, bonito e, importante, com 2,10 m, George Mikan foi o eleito. Pouco importavam a miopia e a descoordenação - que jogasse de óculos e parado sob a cesta! O pivô teve impacto imediato, dentro e fora das quadras.

Enquanto Cary Grant e Rock Hudson enlouqueciam as fãs em filmes açucarados de Hollywood, Mikan arrastava donas-de-casa para os ginásios em Sheboygan, Waterloo e outras cidadezinhas obscuras do interior dos EUA.

Seu tamanho simplificava o jogo. Os colegas passavam a bola para o pivô - fincado sob a cesta, Mikan empurrava seu marcador com o corpo e dava um tapinha singelo na bola para fazer os pontos.

Exultante com o sucesso de público, mas preocupada com a falta de competitividade, a NBA tentou várias mudanças de regras. Não teve jeito. Com médias de 23,1 pontos e 13,4 rebotes, Mikan levou o Minneapolis Lakers a cinco títulos em sete anos.


 

Edgard Alves e Melchiades Filho são jornalistas