01/08/2021
Ano 24
Número 1.232





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MILTON XIMENES


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Milton Ximenes Lima

 

CAÇA - PALAVRAS (III)
(Palavras de ocasião)

Milton Ximenes Lima - Colunista, CooJornal

Chegou a epidemia, que, a princípio, se encantou com os mais velhos moradores deste planeta. Então a apelidei de “coroa”- vírus. A maioria, porém, preferiu adotar “Covid” que, sem cerimônia, “convidou” muita gente para um caminho sem volta. Tristeza por todos os lados, muitíssima gente sendo riscada do mapa da vida. Lágrimas demais num luto universal obrigatório.

Aí vieram mudanças de comportamento: recolhimento às respectivas casas, com saídas raras, sempre sob as observadas cautelas do uso de máscaras respiratórias e constante asseio das mãos. Quarentena foi o apelido que deram a esse período de ausências dos caminhares urbanos.

Tô nela, agora: leituras de jornais e livros, digitações, telefonemas, imagens de TV e outras improvisações complementam este lazer sanitário, com raros momentos e curtos convívios familiares e amigáveis...

Risquei da minha agenda todas minhas viagens marítimas porque andaram espalhando que a terra é plana e, assim, poderíamos nos arriscar no desconhecido vácuo do além-mar, sendo tragados por um abismo sem fim que nos projetaria pelo espaço sideral!

Grande influência na mídia se percebeu, fez renascer palavras (adjetivos em maioria) e expressões, com sabores políticos e vivenciais. Então, continuou a minha mais nova coleção:

Disparou uma urucubaca/cambulhada/misturou cloroquina com obra de piscina/no fundo, foram falas de poltrão/verborragias ocas/execrável/palavras sórdidas/imorrível, imbroxáveis e incomíveis/presbiopia/ tonitruante apologia/lunáticos incompetentes/pornógrafo infantil/ mas...desde há muito se oferece como montaria, e sem relinchar/macabra mesmice/ desculpa torta no melhor estilo de viúva da ditadura/”rico quando rouba um país é ladrão; quando rouba um milhão, é barão!”/escalafobética participação/criaturas do pântano político/porra louca em versão analógica/efeito político bumerangue da coisa/nesse bonde de merda/era uma merreca/agrotrogloditas/e piromaníaco do Amazonas/rebaixa a política a uma retórica belicosa/latrina das palavras escatológicas/foi dobrar a aposta na esculhambação do país já traumatizado/alarmismo é o legume apreciado e apregoado na quitanda do capitão/ensaiou o teatro de pacificador/contubérnio/.

“Para tirar o meu Brasil desta baderna, só quando o morcego doar sangue e o saci cruzar a perna!” (Bezerra da Silva).

Comentários podem ser enviados diretamente ao autor no email miltonxili@hotmail.com





Milton Ximenes é cronista, contista e poeta
RJ

Email: miltonxili@hotmail.com
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