15/05/2010
Ano 13 - Número 684


ARQUIVO
MILTON XIMENES

 

Milton Ximenes Lima



BREVES MOMENTOS, GRANDES EMOÇÕES


 

Milton Ximenes

É possível e é necessário sonhar, para, anos mais tarde, saborear a real visão desses mesmos sonhos. O garoto que ainda está dentro de mim, aquele que se encantava, primeiramente, com as lições de geografia e história no curso primário, se alegra hoje, sempre, com a magia das viagens, porque lhe traz a certeza de estar pisando e contemplando terras e paisagens há muito desejadas. Outrora, papéis inertes de cadernos e livros repetidos pela professora, hoje, retratos fixos n’alma. Breves momentos, grandes emoções:

- Barcaça singrando o Nahuel Huapi, San Carlos de Bariloche, Argentina, e as gaivotas plainando, vindo buscar comida às mãos de todos.

- Batizado da neve, caindo sobre nossas cabeças, no centro de Bariloche, e, mais tarde, sob os pés deslizando em Piedras Blancas.

- Vôo Buenos Aires-Santiago, sem a turbulência costumeira anunciada pelo Comandante, facilitando a visão magnífica, mesmo através das pequenas janelas, do espetáculo inesquecível da Cordilheira dos Andes, vales profundos, cumes agasalhados de neve.

- O oceano Pacífico contemplado pela primeira vez, Valparaiso, Chile.

- Conhecer o Urubamba, pedregoso e não muito largo rio que faz companhia aos trilhos da ferrovia Cusco a Machu Picchu, sabendo-o um dos formadores do imponente Amazonas.

- Acreditar-se pisando o sagrado solo de Machu Picchu, cidade-exemplo de arquitetura e engenharia, último refúgio e despedida da civilização inca na história do mundo, e de lá, contemplar a imponência da Amazônia peruana.

- Apreender o sentimento de tristeza disfarçado pelas coloridas e alegres vestimentas do povo peruano do interior, marca da passagem guerreira dos ambiciosos espanhóis, destruidores dos seus templos e cidades.

- Navegar nas plácidas águas do Lago Titicaca, o mais alto do mundo. (Peru-Bolívia).

- Conscientizar-se da sensação de estar hospedado em hotel de cidade construída no fundo da boca de um vulcão, 4.000 ms. abaixo do cume: La Paz, capital da Bolívia.

- Apreciar os belos e infinitos campos de girassóis cultivados à margem da rodovia Foz do Iguaçu-Assunção, no Paraguai.

- O outono-ferrugem das folhas nas árvores das paisagens tranqüilas e planas de Quebec, Canadá.

- Ousadia: estar no terraço do Empire State, e, sob fortes ventos, descobrir Nova York coloridamente iluminada.

- Entender o longo muro de granito negro construído no cemitério de Arlington, Washington, USA, homenageando os soldados americanos mortos no Vietnam com a gravação dos seus nomes, vítimas, na verdade, da teimosa ambição dos seus governantes.

- Ver de perto e tentar superar as escadas internas da francesa Estátua da Liberdade, cartão-postal de Nova York.

- Surpresa: na ida, de ônibus, para o teatro, em Nova York, em certas ruas mais escuras, abrigados sob imensos caixotes de papelão, os sem-tetos da cidade.

- Em Atlantic City, caravana de ônibus vomitando idosos em busca de esperanças nos jogos dos cassinos. USA.

- Alegrar-se com o amor à nacionalidade plantado nas crianças, cadernos de desenho e apontamentos à mão, mochilas escolares às costas, visitando , com seus professores, museus, redutos históricos, ruínas do Peru (Cusco), Bolívia (Tihuanaco), México (Museu Antropológico e construções maias e astecas).

- A fé autêntica do povo, gente humilde, carregando estandartes de flores, desfilando seus rostos esperançosos diante da imagem de N.S. de Guadalupe, cidade do México..

- Subir, com nossos sacrílegos pés, as inteligentes pirâmides do México, procurando, também, decifrá-las cosmicamente.

- Apreciar os tons de azul-esverdeado inigualáveis que colorem as águas do mar nas Bahamas.

- Absorver a beleza das variadas flores primaveris que atapetam, agosto e setembro, o dorso das montanhas que nos levam à Cachoeira da Fumaça, segunda mais alta do Brasil, na Chapada Diamantina, Bahia.

- Viajar à terra natal, depois de muito tempo ausente, e verificar que muitas pessoas e lugares de nossos pés-meninos tornaram-se lembranças, matéria de memória... inclusive nossa primeira professora de geografia e história no Grupo Escolar Graça Guardia em Cachoeiro de Itapemirim, ES. (Iracema Monteiro de Souza)
 


(15 de maio/2010)
CooJornal no 684


Milton Ximenes é cronista, contista e poeta
RJ

miltonxili@yahoo.com.br

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