16/12/2011
Ano 15 - Número 766


 

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MILTON XIMENES



 

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Milton Ximenes Lima


Estrelas e Natais

 

Milton Ximenes, colunista - CooJornal

Surpreendo-me. Altas horas, céu límpido naquela madrugada de verão, que, por causa do calor, me faz procurar a brisa da varanda da minha casa. Mesmo com meus míopes olhos, surpreendo-me com a estrela que arranhou o espaço da noite, da esquerda para a direita do meu olhar. Reincorporo-me, imediatamente, às emoções daquele menino medroso, lá num Cachoeiro de Itapemirim já perdido nas dimensões do tempo, quando, entre as ramagens das árvores do quintal, vi, pela primeira vez, aquele desfile estelar. Medroso, sim. Na minha interpretação, cadente era o nome deste tipo de estrela. E cadente significava cair, e porque não cair sobre a Terra e decretar o fim da gente, da família, do mundo? Além do mais, era na época da última guerra, o som alto e ruim do rádio da vizinha assustava a gente com intercaladas notícias que, na interpretação ingênua do meu cérebro, previam uma arrasadora invasão alemã, bombas caindo do céu! Corri para o quarto e, pela primeira vez na vida, cinco para seis anos, senti aquela sensação de uma energia angustiada a percorrer a coluna vertebral e terminar numa pontada na cabeça. O nervosismo ficou então arquivado na minha imaginação, escorregou para o meu arquivo mental.

As coisas se abrandaram na minha imaginação com o conhecimento do Natal, quando me foi apresentada festivamente a estrela de Belém, bondosa guia mística dos Reis Magos na busca do novo Rei, que suas próprias previsões anunciavam. Uma substituiu à outra, fiquei muito envolvido com as narrativas que cercaram o nascimento e a vida do Menino Jesus. Tempos de aceitação do tudo, do aprendizado do catecismo das melhores intenções do catolicismo da época.

Muito mais tarde abracei inteiramente a curiosidade do mistério das estrelas e acredito que elas escondem de nós, dentro das suas distâncias imensuráveis, galáxias de conhecimentos inimagináveis a que os homens do futuro, se não assassinarem a Terra, poderão, um dia, ter acesso.

Por enquanto, porém, sejamos modestos nestas viagens espaciais e, primeiramente, tentemos aperfeiçoar nossa estrela interior. Para isso, aí está novamente chegando o Natal para engrandecer nossos pensamentos e gestos com muito amor. O Natal vai além das comemorações rotineiras do fim de ano, dos procedimentos mercantilistas induzidos pela mídia, da simples e esperada contemplação da Sagrada Família nos presépios. É trazer o Menino-Deus para dentro do seu coração em todos os dias do ano e não só neste período. Não se fiar nas verdades das pessoas e coisas, por mais que neles se confie. Aprender a se afastar, da melhor maneira possível, dos pensamentos e emoções negativas, dos hábitos nocivos, das crenças equivocadas. Descobrir, definitivamente, que a Luz está dentro da sua alma e, quando você tomar consciência deste tesouro, aí sim, comemorará o seu próprio e verdadeiro Natal, e... por toda a sua vida!


(16 de dezembro/2011)
CooJornal no 766


Milton Ximenes é cronista, contista e poeta
RJ

miltonxili@gmail.com
miltonxili@yahoo.com.br

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