01/10/2018
Ano 22 - Número 1.095

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MILTON XIMENES

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Milton Ximenes Lima



PASSA, TEMPO... (1)

Milton Ximenes Lima - Colunista, CooJornal


Fiquei tentado a aqui dar sequência aos casos inicialmente postados no “Comigo mesmo” através de um novo livro que seria intitulado “Com os outros também”, porém a amplitude da expressão poderia excluir narrativas mais pessoais. Pensamentos e pesquisas me fizeram simpatizar com Ac(ontem)cências, que se materializou em “Acontecências”. Não era contemplada, porém, no aureliano Novo Dicionário da Língua Portuguesa (1975), que insinuava a palavra “Acontecidos”, que não me satisfez, tinha cheiro de lembranças muito e muito antigas.

A propósito, estive com minha mulher e uma amiga, futura comadre, na saudosa Livraria Cabra Norato, em Ipanema, no lançamento da 1ª edição do livro, no qual o autor deixou a dedicatória : “Ao casal Milton (o do Paraiso Encontrado (grifado)) e Gloria Ximenes, com imediata simpatia e funda gratidão”. Ass. Aurelio Buarque de Holanda Ferreira, Rio, 11/7/75. Finalmente, eu, ex-aluno do Internato, conhecia pessoalmente o afamado professor do Externato do Colégio Pedro II. Em oportuna foto, eis abaixo, o momento:


Quanto à opção para o título desta série, me desliguei quando resolvi: “Passa, tempo”.


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Vestibular (1959/60) – Com o êxito, tínhamos que procurar o Centro Acadêmico, e, sob módica quantia, destinada às comemorações, ser premiado, como recibo, com um diploma de Burro (estampa do animal em destaque) e aguardar os eventos, principalmente os bailes. Aguardei as iniciativas dos da Faculdade Nacional e a do Catete (UFRJ). Este nos ofereceu um programa diferente, sob a proteção da Marinha Brasileira: um passeio marítimo pela baía da Guanabara e adjacências.

Já quase ao final, o mar resolveu se agitar, e os cautelosos marujos resolveram nos aconselhar a abandonar as amuradas da embarcação e descer imediatamente para o compartimento inferior, onde, após descida por íngreme escada, poderíamos nos acomodar em longos bancos postados nas laterais do espaço local. Neste momento é que se destacou a bela colega, cabelos longos e louros, caprichada maquiagem no largo rosto, saia curta, de onde saíam suas pernas curtas e gordinhas. Parecia que nos desafiava a confirmá-la como imitação carioca da desinibida atriz francesa Brigitte Bardot, paixão e desejo da garotada e dos marmanjos da época, que lotavam os cinemas na esperança de que a atriz lhes mostrasse algo a mais no seu chamativo corpo.

E, na verdade, entre dentes, a colega, já no cursinho vestibular, era apelidada de “Brigitte”. Então, ela chegou até o buraco em que a íngreme escada se apoiava e, subitamente, se desequilibrou, escorregou, veio bumbumdeando cada degrau até o chão do compartimento inferior. Sem graça ficou, mas prazerosamente foi ajudada pelos colegas...

E, daí em diante, passou a ser conhecida como “Meningite Cocô”.

E não “perdeu o rebolado”: ainda a descobri, tempos depois, numas páginas de Moda da então Revista Manchete.


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Comentários sobre o texto podem ser encaminhados ao autor, no email miltonxili@hotmail.com  





Milton Ximenes é cronista, contista e poeta
RJ

miltonxili@gmail.com
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