09/12/2006
Ano 10 - Número 506

ARQUIVO
NORMA BRUNO

 

Norma Bruno

 

Cartão de Natal

Antigamente era costume as pessoas trocarem cartões de Natal e Ano Bom. Os envelopes começavam a chegar já no final do mês de novembro, o mais tardar no início de dezembro, para que as pessoas tivessem tempo de respondê-los, e o Correio de entregá-los, em tempo hábil.

Alguns reproduziam quadros de pintores famosos em papel colorido e perfumado. Havia um tipo especialmente bonito e engenhoso que ao ser aberto armava uma paisagem, uma cesta de flores ou um lindo presépio, celebrando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como as famílias, também as casas de comércio enviavam cartões impressos e sugestivos calendários onde, embaixo dos tradicionais votos de “Boas Festas e Próspero Ano Novo”, figuravam o nome e o endereço do estabelecimento e se agradecia a “preferência” no ano que passou. 

Hoje os tempos são outros. As pessoas alegam não ter mais tempo para enviar cartões e muito menos para respondê-los e mesmo as empresas já não presenteiam seus clientes com prosaicos calendários que ninguém lê; ao contrário, elas invadem nossas caixas de correspondência com sofisticados panfletos e se nos enviam alguma coisa é catálogo de propaganda, boleto bancário ou carta de cobrança.

O veículo mudou, a linguagem é menos formal, mas os desejos humanos continuam os mesmos. Aos amigos, continuamos declarando nosso afeto e votos de saúde, paz e felicidade, ainda que, às vezes, de uma maneira um tanto quanto inusitada.

Ontem pela manhã recebi um cartão virtual de Natal. Estava endereçado a uma longa lista de e-mails, como de praxe. O texto dizia:

Queridos amigos,

Encontrei com o Papai Noel e ele disse que eu poderia escolher o presente que quisesse. Então eu falei que queria ter os meus amigos sempre por perto. Por isso não se assuste se algum velho tentar lhe “empacotar”, e... vê se colabora, né?”“.


Achei a idéia divertida e respondi assim:

Querida amiga,

Devias ter me avisado. Ontem à noite, um tarado tentou me agarrar na porta de casa. Desesperada, chutei o saco dele e comecei a berrar por socorro. A polícia chegou, deu-lhe uma camaçada de pau e o jogou no camburão. De longe, observei que era velho e que a sua camisa estava manchada de vermelho. Pensei que era sangue.

Deve ser por isso que a cartinha que eu escrevi para o Papai Noel com o pedido do teu presente voltou com o carimbo de “ausente do domicílio”. Sinto muito. Da próxima vez avisa antes.

De qualquer modo, agradeço a amizade, o motivo para rir e aproveito para retribuir os votos de Feliz Natal e Ano Novo. 

Um forte abraço

Norma Bruno

 


(09 de dezembro/2006)
CooJornal no 506


Norma Bruno
graduada em História e escritora
Florianópolis, SC
norma.bruno@hotmail.com