Antigamente era costume as pessoas trocarem cartões de Natal e Ano Bom.
Os envelopes começavam a chegar já no final do mês de novembro, o mais
tardar no início de dezembro, para que as pessoas tivessem tempo de
respondê-los, e o Correio de entregá-los, em tempo hábil.
Alguns reproduziam quadros
de pintores famosos em papel colorido e perfumado. Havia um tipo
especialmente bonito e engenhoso que ao ser aberto armava uma paisagem,
uma cesta de flores ou um lindo presépio, celebrando o nascimento do
Menino Jesus.
Assim como as famílias,
também as casas de comércio enviavam cartões impressos e sugestivos
calendários onde, embaixo dos tradicionais votos de “Boas Festas e
Próspero Ano Novo”, figuravam o nome e o endereço do estabelecimento e
se agradecia a “preferência” no ano que passou.
Hoje os tempos são outros.
As pessoas alegam não ter mais tempo para enviar cartões e muito menos
para respondê-los e mesmo as empresas já não presenteiam seus clientes
com prosaicos calendários que ninguém lê; ao contrário, elas invadem
nossas caixas de correspondência com sofisticados panfletos e se nos
enviam alguma coisa é catálogo de propaganda, boleto bancário ou carta
de cobrança.
O veículo mudou, a
linguagem é menos formal, mas os desejos humanos continuam os mesmos.
Aos amigos, continuamos declarando nosso afeto e votos de saúde, paz e
felicidade, ainda que, às vezes, de uma maneira um tanto quanto
inusitada.
Ontem pela manhã recebi um
cartão virtual de Natal. Estava endereçado a uma longa lista de e-mails,
como de praxe. O texto dizia:
“Queridos amigos,
Encontrei com o Papai Noel e ele disse que
eu poderia escolher o presente que quisesse. Então eu falei que queria
ter os meus amigos sempre por perto. Por isso não se assuste se algum
velho tentar lhe “empacotar”, e... vê se colabora, né?”“.
Achei a idéia divertida e respondi assim:
Querida amiga,
Devias ter me avisado. Ontem à noite, um
tarado tentou me agarrar na porta de casa. Desesperada, chutei o saco
dele e comecei a berrar por socorro. A polícia chegou, deu-lhe uma
camaçada de pau e o jogou no camburão. De longe, observei que era velho
e que a sua camisa estava manchada de vermelho. Pensei que era sangue.
Deve ser por isso que a
cartinha que eu escrevi para o Papai Noel com o pedido do teu presente
voltou com o carimbo de “ausente do domicílio”. Sinto muito. Da próxima
vez avisa antes.
De qualquer modo, agradeço
a amizade, o motivo para rir e aproveito para retribuir os votos de
Feliz Natal e Ano Novo.
Um
forte abraço
Norma Bruno
(09 de dezembro/2006)
CooJornal
no 506