Dentro de mim mora
uma ruiva falsa afeita a champanhes e salto alto, gotas de extrato,
meias de seda, rendas, brocados e veludos. Em geral se mantém calma, no
seu canto, mas acorda em febres logo às primeiras folhas do outono.
É do tipo que só se
apaixona perdidamente - seja por um dia ou pela vida inteira -, então
mergulha num estado de êxtase contemplativo, e eu que me vire com a
minha agenda cheia! Depois de uma certa experiência desistiu dos
príncipes encantados, mas percebo que ainda guarda uma vaga esperança de
encontrar um homem de coração nobre.
Não combina mais com
esse mundo, coitada, mas insiste, apesar de nem ter mais idade para
essas coisas... Minha vó se fosse viva, diria: _ Pega um rosário em
vai rezar, minha filha, que isso passa!
Dissuadi-la, eu nem
tento; antes faço a minha parte. Já soltei os cabelos, vou pintar as
unhas de vermelho.
(14 de abril/2007)
CooJornal
no 524