Embora se apresente
como uma construção de natureza material, a cidade é uma das mais
genuínas expressões da natureza humana. Na cidade se concentram todos os
homens, todos os saberes, todos os ritos, toda a riqueza, toda a
pobreza, todas as virtudes e também todas as misérias humanas. A cidade
é também os seus problemas.
A cidade nasceu da
aldeia, da identificação que reúne famílias solidárias e, como bem disse
Lewis Munford, inventa o vizinho, aquele que nos acode no momento de
precisão e se alegra conosco nos momentos felizes. Essa união gera
conforto, abundância e segurança aumentando as chances de sobrevivência
do grupo.
A cidade atrai e fixa
os homens num território, ordena e hierarquiza a sua ocupação e também o
trabalho. As interferências das sucessivas gerações humanas ao longo da
história ocorreram de modo cada vez mais intenso e mais complexo o que,
por um lado conferiu eficácia às cidades, mas por outro fez surgir a
“cidade sem alma” de que nos falou Spengler. Nos dias de hoje as cidades
vêm se transformando num espaço quase hostil onde acontecem trocas, mas
cada vez menos convivência.
Apesar disso, a cidade
continua sendo essencialmente o lugar do encontro. É o espaço onde se
acumula o conhecimento e se realiza a cultura, onde se aprende e
desenvolve a civilidade e a cidadania, é o cenário onde as pessoas vivem
os retalhos de suas histórias particulares e assim vão tecendo -
alinhavados que estamos uns aos outros -, as histórias dos lugares.
A Revistaria da
Cidade quer representar esse espaço, propiciando a re-união das
pessoas que procuram informação, cultura e as pessoas afins. A
proposta é promover, ao redor de revistas e jornais, o encontro dos que
desejam rememorar o verdadeiro espírito da cidade.
Norma Bruno
Florianópolis, Abril de 2007
(21 de abril/2007)
CooJornal
no 525