Odete
Ronchi Baltazar
Filosofando
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Hoje, apesar do sol, apesar do friozinho que tanto gosto, estou
triste.
Morreu uma amiga dos tempos de colégio e que havia reencontrado no
orkut.
Breve reencontro.
Estranho ver ainda o perfil dela por lá e saber que não mais existe.
Estou sensível e choro por tudo. Choro pelo medo da morte que me chega
tão próxima, levando-me os que estão por perto.
Temor da morte é algo que todos têm, mas eu tenho um medo tão intenso
que, muitas vezes, me impede de viver.
Muitas pessoas têm na religiosidade um consolo para a morte.
Eu não.
Faz algum tempo que não me encontro na minha religião.
Não creio em mais nada e isso me deixa sem perspectiva alguma, sem um
lenitivo para meus temores.
Falo pro meu terapeuta, mas o que ele pode fazer em relação a isto?
Dizer que não somos eternos é me deixar mais apavorada ainda.
Falar que tenho(?) muitos anos à frente não me consola.
Afirmar que meus queridos ficarão um bom tempo comigo não me traz paz.
O que me deixaria tranquila então?
Nem eu mesma sei.
Trabalhar e seguir com a vida sem pensar na sua finitude? Viver como
se fosse para sempre? Fazer planos, realizá-los e viver intensamente a
família e os amigos?
Talvez sejam essas as atitudes que devo tomar para seguir adiante sem
ficar em pânico.
Pensar na morte é morrer um pouco a cada pensamento.
O que me resta é ir em frente e levantar todos os dias, fazer os
mesmos atos, conversar, lavar, cozinhar, escrever, varrer, beber,
sorrir, chorar, amar, sentir fome, frio, calor, raiva... Ter amores,
amigos, gostar do sol, da chuva e pensar que depois continuarei viva,
embora diferente. Átomo que se transforma, mas não desaparece.
Assim dá para pensar que serei eterna...
Hoje estou assim, filosofando.
(23 de maio/2009)
CooJornal
no 633
Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br
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