Ando com pouco tempo para ficar na rede e
acabo ficando com preguiça de escrever. Marido sempre ao redor porque
se recupera (ainda) da cirurgia da coluna, querendo atenção, querendo
comida diferente, chamego, bolsa de água quente, cafuné... E eu me
desdobro em duas, três, quatro... ou quantas forem necessárias.
E os meus textos ficam me pedindo para serem mais que idéias! O que eu
posso fazer se as mão andam ocupadas com outras coisas sem glamour,
tais como lavar-passar-cozinhar-limpar?
Não há escrita que se salve em meio aos pratos e panelas do dia-a-dia.
Os versos ficam murchos e acabam perdendo o significado diante do
animado espanador e do aspirador em frenética correria.
Há que se ter um pouquinho de infelicidade para o escrever ser mais
poético. Há que se ter mais lágrimas e menos sorrisos para que os
versos sejam mais consistentes. E eu ando sorrindo à toa. Estou feliz
mesmo entre as roupas do varal.
Tenho o almoço para preparar e tempero de salada não vai bem com as
minhas rimas e assim fico com os dedos plenos de poesias querendo ser.
Minha brastemp trabalha o dia inteiro sem reclamar, mas eu não
consigo. Não sou máquina!
Preciso de espaço para desenhar os contornos da minha poesia. Preciso
de tempo para colocar as palavras em folhas brancas de espanto.
Enquanto não me deixar envolver pela mágica da escrita, não
conseguirei dormir pois meus versos estão à espreita, querendo ser
amanhecer.
Nesse meio tempo, finjo ser dona-de-casa-assumida, mas ansiosa por
trocar o aspirador pelo teclado do computador e deixar de lavar
panelas e ver nascer a rima ou a imagem que deleita a minha alma.
Quero ser poeta em tempo integral! Poeta e feliz...