
05/08/2006
Ano 10 -
Número 488

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Odete
Ronchi Baltazar
Beleza põe mesa?
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Toda menina-moça-mulher
sonha-sonhou-sonhará em ser, um dia, miss-modelo-manequim. Não há uma
sequer que não tenha se imaginado no lugar da Marta Rocha ou da Luiza
Brunet ou, nos dias atuais, da Gisele Bündchen.
É um mundo onde a beleza e o glamour imperam e a vaidade feminina é
elevada ao máximo. As mulheres são endeusadas e nós, pobres mortais,
ficamos a sonhar e a nos ver em passarelas imaginárias mesmo quando
vamos ao supermercado. Essa vaidade que nos é peculiar faz-nos
narcíseas, apaixonadas por nós mesmas e sempre preocupadas em estar
belas e impecáveis. Em doses normais, a vaidade feminina é uma bênção
para nos manter em saudável bem-estar e assim nos preocupamos em fazer
dietas, praticar exercícios físicos, fazer depilação, peeling, aplicar
colágeno, corrente-russa, massagem estética, drenagem linfática, limpeza
de pele, fazer as unhas, pintar cabelos, usar maquiagem e etc, etc, etc
e tal...
Há tempos atrás (uns quarenta anos atrás), os salões de beleza eram
usados unicamente para "arrumar" as mulheres para as festas: casamentos,
festas de igreja, aniversários. Faziam-se permanentes, penteados cheios
de laquês e pintavam-se as unhas.
Hoje, vai-se ao salão de beleza toda semana, no meio da semana...
Qualquer dia é dia para "se arrumar".
Os salões viraram Centro de Estética e as exigências quanto à beleza
aumentaram. Temos que ser belas a qualquer preço (e que preço!). Na área
da estética tudo é muito caro e estar bonita virou artigo de primeira
necessidade.
E nos deixamos envolver pela mídia que exige um corpo escultural, a pele
de veludo e os cabelos sedosos permanentemente vinte e quatro horas por
dia. Nunca conseguimos estar satisfeitas com o que vemos no espelho,
pois as exigências são outras. Vendem a felicidade em embalagens de
modelos magras, eternamente jovens, sem nenhum defeitinho. E nós, pobres
e humanas mulheres, ficamos penando no limbo da "feiúra" e corremos
atrás de terapia para os analistas nos fazerem entender que temos que
nos aceitar assim como somos.
Olhando através da história vemos que cada época tem um padrão estético
e aqueles que não se encaixam nele sofrem pois se sentem excluídas do
convívio social.
As mulheres sofrem mais com esse tipo de cobrança e vemos todo o tipo de
transtorno entre as adolescentes que querem se adaptar aos padrões
estéticos exigidos. É a anorexia, bulimia e manias de dietas de todos os
tipos. Nada fica a contento e é eterna a insatisfação com o que se vê no
espelho.
Enquanto se der tanta importância à beleza mais que a qualquer
competência, os "feios" estarão no mato sem cachorro. Mas como em cada
época temos um modelo de beleza, sofremos à toa. Valorizar a competência
mais que a aparência é uma maneira de dizer não a essa ditadura da
beleza de nosso dias, inventada pela mídia.
Beleza põe mesa, sim, mas deve ser servida junto com o bem-estar, ou
seja, é belo o que é saudável, o que é inteligente. As imperfeições que
porventura tivermos serão traços fascinantes se estiverem juntos com uma
forte personalidade.
(05 de agosto/2006)
CooJornal
no 488
Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br
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