26/08/2006
Ano 10 - Número 491


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Saudade

 

Sentimento que faz taquicardia, provoca suores, tremedeira, hipoglicemia, revira a vida da gente de pernas para o ar.

Saudade dói. Dor física mesmo, de ir ao médico e reclamar que a dor é generalizada, com concentração maior na altura do peito, um constrangimento de coração, uma fisgada insuportável... mas cadê remédio, pílula, xarope?

Quem sabe uma massagem?

Não, saudade só tem cura com a presença. Com o toque, com o olho no olho... Ou com o tempo, porque se vai acostumando com a dor.

Vamos convivendo dia a dia com aquela falta e quando nos damos conta, já não dói tanto assim. Sabemos que falta alguma coisa, mas já não sabemos mais o quê.

Aquela dor vai virando lago quieto, água transparente, onda mansinha, doce lembrança, guardadinha no fundo da memória. E quando menos se espera, esquecemos de todo. Ficamos curados, embora com cicatrizes, mais ou menos profundas.

Ah, esquecimento, esse é o doce remédio das dores da saudade.

Dêem-me em doses maciças!

Estou precisando...



(26 de agosto/2006)
CooJornal no 491


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br