02/09/2006
Ano 10 - Número 492


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Pisum sativum

 

A ervilha é rica em proteína, da família do feijão, mas não tão gostosa quanto. Enlatada é pau pra toda obra.

Trepadeira anual, da família das leguminosas (Pisum sativum), dotada de flores grandes, solitárias, róseas, de corola alva, azulada ou roxa, e cujos frutos são vagens oblongas, lisas ou rugosas, com numerosas sementes comestíveis. Do Latim ervilia.

Não tem salada? Abre uma lata de ervilha. Quer aumentar a quantidade de carne? Derrama uma lata de ervilha. No cheese salada, dá-lhe ervilha! Na carne moída? Mais ervilha! Tem sopa? De ervilha... Filme de terror? Vomitem ervilha! Eca!

Apesar de tão bonitinha, tão rica e tão nutritiva, a ervilha é como essas amigas da gente que nos fazem ser iguaizinhas a elas para que a gente não se sobressaia e apareça mais que elas. Aliás, só dá ela, a nossa amiga.

Onde tem ervilha, tudo o mais perde o sabor.

Já comeu algum pastelão de frango com ervilhas? Sentiu o gosto do frango? Pois é... a ervilha toma conta. E o cozido? Botou ervilha pode chamar de cozido de ervilha porque o sabor é só dela! Maionese? Nem pense em acrescentar ervilhas!

Sozinha, bem soziiiiinha ainda vai. Até é boa. Mas não serve para ser misturada a outros ingredientes, pois tudo assume seu sabor. É como aquela amiga, lembram? Metida! Se acha a tal, mas não vale um grão.

Não se deixem misturar com ervilhas. Tudo fica sem personalidade. Fica um gosto só: gosto de mediocridade. Sejam autênticos. Deixem a ervilha de lado. E o seu sabor (o seu, não o da ervilha) aparecerá com todo o seu esplendor.




(02 de setembro/2006)
CooJornal no 492


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br