23/09/2006
Ano 10 - Número 495


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Rotinas
 

Fim de semana e eu com a maior preguiça deste mundo. Saí da rotina e não fui ao sítio como faço todo final de semana e somente isto já serviu para desestruturar a minha programação, já que sou toda rotinas.

Sou rotina nos horários e nos afazeres. E para tudo isso eu tenho uma explicação: quero estar no controle das situações e nada mais "controlável" do que saber o que virá em seguida.

Rotinas servem também para a gente não se estressar.

Sei que muitos vão dizer que uma dose de surpresas diárias vêm bem a calhar e que a adrenalina das novidades é estimulante. Para mim, funcionam como agentes de estresse. Prefiro o insípido da rotina que eu tempero conforme meu previsível gosto. É tão mais prático saber a dose, prever o gosto do próximo passo...

Não me venham com grandes mudanças e novidades estrondosas. Fico desnorteada, perco o chão e demoro a me aprumar. Gosto do andar lento da carruagem que me leva a uma previsível estação.

Gosto da quietude das manhãs onde a espera da tarefa seguinte não dá ansiedades. Gosto de saber que terei um café da tarde com café coado e uma sopinha no jantar. Sinto-me em segurança por saber o horário de chegada do meu amor.

Por não suportar novidades e surpresas, deixo-me estar em calmarias onde o meu próximo passo acontece sem rufar de tambores ou foguetes barulhentos.
Enquanto a vida seguir assim, previsível, eu serei feliz porque de imprevisível basta o horário da morte e para esta, embora prevísivel desde que nascemos, não temos remédio...


(23 de setembro/2006)
CooJornal no 495


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br