
02/12/2006
Ano 10 -
Número 505

ARQUIVO ODETE BALTAZAR
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Odete
Ronchi Baltazar
Pernas, pernas, pernas! |
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Pernas sempre foram minha frustração. Achava-as curtas demais,
barrigudas demais, grossas ao extremo.
Minhas tias e avós sempre as elogiavam, mas elas eram suspeitas para
falar, pois me adoravam.
Procurava sempre encobri-las, mas como toda adolescente, queria seguir
a moda à risca e nem sempre a moda era de pernas escondidas...
Assim, mostrei as pernas na moda da mini-saia e na moda do
micro-vestido em sua total extensão. Na moda dos shorts com
casacões, deixava-as meio escondidas, mas as pernas chamavam a
atenção, para a minha desgraça.
Na praia era outra história. Nos primeiros dias, ficava meio chateada
com aquelas pernas grossas e branquelas, mas com o passar dos dias,
elas iam ficando bronzeadinhas e já não pareciam uma aberração.
Sentia-me menos mal de usar roupas que as deixassem bem à mostra.
Mulher feita, já não seguia a moda tão à risca e as mini-saias deram
lugar aos bem comportados tailleurs, sempre usados com
trifil de todos os tipos e cores. Mas a neurose de achar as pernas
feias continuava.
Hoje, mulher de meia-idade, não me importo mais. Tenho outras
preocupações em mente: a menopausa, os calorões, a filha que se forma
na faculdade, a aposentadoria do marido.
As pernas continuam as mesmas, mas minha cabeça, que diferença! Já não
as acho assim tão esquisitas e os anos de balé e a ginástica olímpica
que fiz enquanto era muito jovem, deram-lhes firmeza.
Ainda são grossas, barrigudinhas, mas estão sexy. Uso-as como
elementos de sedução, bem depiladas, vestidas ou nuas, alongadas com
saltos ou sedutoras com os pés à mostra.
Cresci. E minhas pernas cresceram comigo. Não em tamanho, mas em
entendimento. Hoje sei que uma boa cruzada de pernas vale mais que mil
palavras, mas somente se estiver junto com uma boa cabeça.
(02 de dezembro/2006)
CooJornal
no 505
Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br
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