30/12/2006
Ano 10 - Número 509


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Ai, que calor!


Fim de semana cheio de trabalho. Não saí, não fiquei no pc. Fiquei em família, dando atenção à filha e ao maridão que precisam demais do olho no olho.

Filha e genro esperam a Vitória, bebê já muito amado que nascerá em maio. Então precisam de carinho, de conselhos, de ajuda. Têm a cabeça no lugar, então, têm mais é que fazer crescer o ninho e eu, como boa mãe, estou ajudando no que for necessário.

Marido quer atenção porque todo marido é carente mesmo... então, carinho nele! Isso é bom e eu também gosto.

Hoje chove por aqui, mas o calor continua a mil.

Diz o marido que está frio. Eu digo que está quente. Ele diz que a temperatura está agradável e eu acho que está um inferno! Então, dá-lhe ar condicionado! Ele morre de frio e eu continuo com calor... Quem de mim tem dó?

Sempre fui encalorada, desde menina. O ventilador, naqueles tempos, era coisa rara, mas era sempre eu a ficar com ele.

Morria de vergonha, pois estava sempre suada, pingando, vermelha que nem pimentão de tanto calor.

Continuo igual. Parece que com a idade, aumenta mais ainda essa agonia. Diz a minha amiga Rosa Pena que esse calor "é o fogo de toda mulher que explode depois dos 40. Mas não é fogo só de sexo. É urgência de vida."

Mas está de danar essa sensação de estar em sauna o tempo todo. Essa explosão me queima inteira, dá-me aflição. Vivo em ansiedade, taquicardia sem parar. E dá-lhe suor a pingar. Essa minha correria para a vida não tem fim. Vai ser eterna.

Alguém saberia de algum remédio pra curar esse calor, essa labareda?

Não adianta me sugerir hormônios para reposição hormonal da menopausa que esses eu já tomo há bastante tempo. Libian me salva "daqueles calores" e me deixa no pique.

O calor que sinto é diferente do calor menopáusico. Não é pior nem melhor. É um calor que incomoda. Só me sinto bem no ar condicionado. E ligado no máximo.

Quero o inverno, quero o frio! Onde andarão as brisas, os ventos fresquinhos? Sumiram depois do tufãofuracãociclone.

Alguém tem aí para enviar um ventinho pra mim?

Por favor, tenho urgência.
 


(30 de dezembro/2006)
CooJornal no 509


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br