Sempre fui muito apaixonada. Entrava de
cabeça em tudo que iniciava, mesmo não terminando depois. Iniciava
cursos e amores com a mesma intensidade. Não importava se os
concluiria. Importante era iniciar com garra. E assim como me
apaixonava, também me decepcionava com a mesma rapidez.
Tive muitos amores e a todos tive o mesmo cuidado e a mesma paixão.
Desde os amores de infância, aos amores tardios.
E sempre disse com todas as letras o quanto amava. Posso ter me
arrependido pelo que não fiz. Nunca pelo que fiz.
Acho que o único que nunca eu tive coragem de me declarar foi o meu
primeiro amor. Mas ele sabia. Bastava isso... Hoje me arrependo de
nunca ter dito a ele o quanto me fazia feliz por simplesmente
existir em meus dias e o quanto ele iluminava minha infância. Era um
menino sardento de cabelos avermelhados e olhos espertos que morava
na frente da minha casa e bastava eu ir à janela para vê-lo. Cada
mirada era uma festa para meu coração.
Depois tive a paixão pelo vizinho ao lado. Desta vez, eu já podia
dançar e podia tocá-lo (suprema felicidade!) nas poucas vezes que
dançamos. Ficava um gosto de quero mais quando o ouvia cantar em sua
casa para chamar minha atenção.
E tive meus amores dos tempos de escola. A cada ano uma nova paixão.
A cada paixão mais amor eu tinha.
No colegial amei demais meu primeiro namorado, meu primeiro beijo,
minha primeira dor de amor.
Depois vieram outros e outros tantos meninos por quem me apaixonei
"perdidamente".
Aos tantos amores (pois foram muitos) eu sempre tinha minha
declaração na ponta dos dedos, escrevendo muitos bilhetes ou cartas.
Amores que iam e vinham em meus dias e ocupavam minhas fantasias
adolescentes. Sempre cheios de muita ilusão.
Sempre eram amores "para sempre". E, embora tenham durado somente
uma estação ou um ano escolar, guardo cada um em papéis de sedas
embrulhados com muito cuidado. Abro-os em dias de solidão ou em
noites silenciosas. E então sou feliz pelo muito que amei.
Aos meus amores de menina, minha doce saudade!