Vocês por certo já leram as revistas de
consultório médico. Aquelas revistas velhas, cheias de orelhas, de
antigamente, sempre de datas atrasadas. Caras, vejas, épocas, novas,
vogues...
Revistas que os médicos, dentistas, psicólogos, ginecologistas
trazem de casa para deixar para seus pacientes (e haja paciência!)
se distraírem enquanto se atrasam de consulta em consulta.
Como a gente se impacienta e quer um consolo, pega uma revista e
outra e mais outra para disfarçar e não ficar olhando para os outros
impacientes na sala de espera. Vez por outra esbarramos com um olhar
meio de esguelha de um ou outro e rapidamente voltamos à revista que
traz a notícia daquele artista daquela novela daquele canal que já
está em outra novela em outro canal faz bastante tempo.
O que se escuta na sala é somente o barulho do ar condicionado (um
luxo) ou do ventilador que mexe o ar quente e usado da sala fechada
e sem janelas... e do passar das páginas velhas das revistas
antigas. E vamos remoendo nossos problemas e pensando no que diremos
para o médico.
Se estamos esperando pelo dentista, por certo a revista não disfarça
a dor de barriga. Ginecologista, idem. Psiquiatra ibidem. Ou seja,
consultas dão sempre dores de barriga, seja lá de que espécie for.
Mas se você está em uma sala de espera sozinho e não tem ninguém
olhando, a revista, nem que seja das antigas, é uma distração e você
a lê de frente pra trás de trás pra adiante e quando vê uma
reportagem interessante, uma receita deliciosa ou uma imagem
inspiradora o que você faz?
Disfarçadamente e bem silenciosamente, espiando para todos os lados
para ver se não tem nenhuma "sorria, você está sendo filmado",
arranca a página (ou páginas) do seu interesse. Não me venham dizer
que ninguém faz isso! As revistas que estão lá têm sempre página
faltando! Alguém as levou...
E vou dizer uma coisa: eu já fiz isso... Mas foi por uma boa causa.