24/03/2007
Ano 10 - Número 521


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Viciada? Quem? Eu?
(parte 2)


 

Só tendo uma pane na internet pra saber o quanto sou viciada nisso. Não quero admitir, mas sou. Inteiramente, totalmente viciada. Se bem que não se pode ser "meio" viciada. O vício já supõe entrega total.

Pois então! Em plena tarde, tudo pára no meu outlook. Modem fica piscando, deixando-me saber: estou sem sinal de internet.

Espero, saio, tomo um café, volto, sento, clico no enviar/receber umas centenas de vezes só para confirmar que está tudo parado. Será que é somente no meu pc ou é na área inteira?

Telefono para meu cunhado, que mora na mesma rua. Telefono para a vizinha. Não. Para eles, está tudo funcionando. Droga! O que será que aconteceu aqui? Droga! Droga! Droga!

Lá vou eu telefonar para central de (des)atendimento ao cliente da net. Nunca resolvem nada. Fora o tempo que deixam a gente esperando com o telefone pendurado na orelha.

- Minha senhora (pelo menos são educados), um atendente me diz, depois de hoooooras em que eu fiquei esperando, ouvindo uma gravação, desligue o modem da energia, reinicie o computador, religue o modem...

O atendente fala "pra dentro" e a gente fica sem entender o que ele disse, tendo que pedir pra repetir o que disse a toda hora. Até parece que eu sou surda.
Faço tudinho o que diz. Eu quero minha conexão de volta!

Não resolve.

- Minha senhora, quer protocolar sua reclamação?

Vai, protocola! Que remédio?

- Ligue novamente daqui a quatro horas se não resolver o problema, para agendarmos uma visita na sua casa. O problema é o seu modem. Eu não o estou vendo aqui na central. (Agora, meu modem é fantasma...).

Enquanto as horas passam, fico espiando o emburradinho. Ele continua piscando para mim. Idiota! Reinicio o pc umas quinhentas vezes. Não adianta!

Vou ver a novela da globo para distrair. Vejo o BBB. Até converso com o marido... Invento comidinhas e dou uma última espiada no modem. Continua piscando, sem conexão. Uia, que ódio!

Vou dormir já que não tenho alternativa.

Em quatro horas sem internet, andei uns tantas milhas dentro de casa, indo-e-vindo pra espiar o Sr. Modem. Comi umas mil calorias. Tomei um Valium. Esperneei, chorei... Fiquei um trapo! Esse vício só tem cura com mais internet.

Dormi mal. E quando acordei, saí correndo, ainda com remelas e descalça, para espiar o modem.

Estava funcionando!!! iebaaaaaa! O problema era lá na central. Aliás, como sempre. Minha felicidade se torna visível. Apesar de descabelada, devo ter ficado linda, rindo de orelha a orelha.

Tenho um amigo que me diz, profeticamente, que a coisa vai piorar para o lado dos internautas. Cresce o número de usuários, mas as empresas provedoras estagnaram.

O que será de mim sem a internet? Não vivo mais sem esse vício. Não vai ter calmante suficiente que dê jeito no dia que ficar sem.

 

(24 de março/2007)
CooJornal no 521


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br