A morte é algo inevitável para os
vivos, mas nem por isso essa verdade nua e crua deixa de ser
amedrontadora. É difícil de falar e de pensar sobre ela, a morte.
Lamentamos as perdas, tememos o que virá. Mas é inexorável: um dia
será o nosso dia.
A angústia do deixar-de-ser é universal e para isso corremos contra
o tempo. Queremos nos manter vivos. Eternamente.
Viva, somente a memória dos que ficam e mesmo assim, não-eterna.
Enquanto estamos vivos, a morte nos rondará e não adianta que não
ficaremos para semente.
Essa dor que nos faz pensar que somos meros mortais põe em xeque
nossas crenças.
É diante da morte que nos sentimos impotentes e pequeninos diante
dos mistérios do que pode vir-a-ser.
E nunca estamos preparados o suficiente para ela, que acaba por nos
pegar sempre desprevenidos porque nos julgamos imortais e agimos
como tal.
A morte é certa. Incerto, nosso futuro.
Para os que acreditam que a morte é apenas uma passagem, a esperança
de continuação da vida, mesmo que em outra dimensão, é um alento e a
justificativa de que viver, afinal, não é em vão.
Para os que são céticos, a vida é via de mão única, sem parada para
troca de embalagens e por isso mesmo, deve ser vivida intensamente.
Independentemente de crenças, enquanto estivermos vivos, que
tenhamos fé e acreditemos que as pessoas são capazes de amar... e
que podemos melhorar. Sempre.