07/04/2007
Ano 10 - Número 523


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Vida e morte


 

A morte é algo inevitável para os vivos, mas nem por isso essa verdade nua e crua deixa de ser amedrontadora. É difícil de falar e de pensar sobre ela, a morte.

Lamentamos as perdas, tememos o que virá. Mas é inexorável: um dia será o nosso dia.

A angústia do deixar-de-ser é universal e para isso corremos contra o tempo. Queremos nos manter vivos. Eternamente.

Viva, somente a memória dos que ficam e mesmo assim, não-eterna.

Enquanto estamos vivos, a morte nos rondará e não adianta que não ficaremos para semente.

Essa dor que nos faz pensar que somos meros mortais põe em xeque nossas crenças.

É diante da morte que nos sentimos impotentes e pequeninos diante dos mistérios do que pode vir-a-ser.

E nunca estamos preparados o suficiente para ela, que acaba por nos pegar sempre desprevenidos porque nos julgamos imortais e agimos como tal.

A morte é certa. Incerto, nosso futuro.

Para os que acreditam que a morte é apenas uma passagem, a esperança de continuação da vida, mesmo que em outra dimensão, é um alento e a justificativa de que viver, afinal, não é em vão.

Para os que são céticos, a vida é via de mão única, sem parada para troca de embalagens e por isso mesmo, deve ser vivida intensamente.

Independentemente de crenças, enquanto estivermos vivos, que tenhamos fé e acreditemos que as pessoas são capazes de amar... e que podemos melhorar. Sempre.

 

(07 de abril/2007)
CooJornal no 523


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br