Coisa triste é visitar
blog abandonado. É como se entrássemos em casas desertas, cobertas
por lençóis e cheias de poeira, como a gente vê nos filmes
americanos. A gente passeia pelos cômodos e não encontra sinal de
vida. E pensamos em como deveria ter havido alegria pulsante todos
os dias naquele lugar que amanhecia ávido por novas postagens e em
como tinha movimento naqueles becos em que se entra, agora,
silenciosos e tristes.
Embora não goste de passear entre os escritos abandonados, como se
de repente algum acordasse do abandono imposto e pudesse me
assustar, vou lendo os escombros deixados pelo poeta ou contador de
histórias.
Fico a me perguntar o que faz o poeta abandonar seu lugar de
registro do dia a dia. Cansaço? Tédio? Preguiça? Falta de tempo?
Depressão? Falta de inspiração? Morte?
E as palavras, mudas o tempo todo, não explicam nada. Não me contam
o segredo. E fico a ler tudo com avidez para ver se encontro uma
pista que revele o porquê do abandono daquele espaço.
Há aqueles que, mesmo abandonados, mantêm um certo glamour. Têm
classe. E mesmo deixados de lado, ainda têm atrativos, os mesmos de
quando eram atualizados o tempo todo. Têm categoria.
Há, porém, aqueles em que o abandono aparece em toda parte. Ficaram
obsoletos no layout, as imagens foram substituídas por um "x" e as
palavras já não dizem nada. Os links estão quebrados e não levam
mais a lugar algum.
É a decadência visível do espaço. Tem-se que acender a luz em cada
cômodo e, mesmo assim, há aquelas que estão queimadas ou que faltam.
A poeira intoxica e coça o nariz. É como se a gente descobrisse um
lugar com corpos destroçados e em decomposição.
Triste, muito triste visitar um blog assim. É como se passeássemos
olhando lápides de "Aqui jaz". Sensação de solidão, de adeus.
Passo depressa e, mais que depressa, clico em outros links à procura
de vida.
Deixemos os mortos em paz.