16/06/2007
Ano 11 - Número 533


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Estacionamento proibido


 

Acho que todo mundo já teve problemas com seus portões e carros mal estacionados bem na hora que precisa sair de casa. É claro que para mim, não poderia ser diferente. Há alguns anos, meu vizinho, que está na minha esquerda literalmente, resolveu abrir um restaurante. Na área não tem local para estacionamento, o que, por si só, tornaria o projeto inviável. Mas com alvará ou sem alvará da prefeitura, o fato é que o tal restaurante Bom Prático e Barato abriu suas portas.

É claro que meu portão ficou cheio de carros perto do meio-dia, alheios ao aviso (bem grande) de "Proibido Estacionar". Quantas e quantas vezes tivemos que ir até o restaurante pedir que retirassem os carros para que pudéssemos entrar ou sair de casa pelo nosso portão de entrada.

Teve até batida de carro e tudo o mais na saída do meu portão! Com direito a reclamação do motorista culpado, achando que estava com a razão! Minha filha, que não engole desaforos, mandou-o para aquele lugar.

Não adiantou reclamar para os órgãos competentes. Não adiantou reclamar para o dono do restaurante. Esperneei, gritei, falei. Fui parar no médico, doente de raiva.

A solução? Nenhuma. Mas resolvi o meu problema. Não foi a solução mais adequada, mas foi a melhor que consegui para ter paz de espírito.

Passei a ignorar tudo o que se passa fora do meu portão, como se eu vivesse em um mundo paralelo. Buzino quando preciso entrar na minha casa e tem algum carro estacionado em frente ao portão.

Faço de conta que não existe restaurante algum, nem carros a me incomodar do lado de fora.

Santo remédio!

Se os meus vizinhos de rua se incomodam com o problema, eles que resolvam. O meu problema eu já resolvi. Eles que se virem! Vivo no mundo da lua... para meu sossego.
 

(16 de junho/2007)
CooJornal no 533


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br