Dia de prosa e eu sem assunto. Dia de contar causos e eu sem nenhum.
Que fazer numa situação dessas? Contar sobre o sonho que tive? Vai
ser complicado, porque quem consegue contar sonho de maneira linear?
É tudo tão atrapalhado, corrido, que só pensamento acompanha. Mas
vou mesmo é falar dos sonhos de maneira geral, porque os sonhos, ah,
os sonhos, quem não os tem?
Eu faço terapia, mas nunca perguntei ao analista o que significa
sonhar com telefones que não têm números. Eu tento (no sonho)
discar, mas não consigo. As teclas se mexem ou não aparecem no
lugar, os números são sempre indistintos, apagados, nebulosos, uma
aflição! Com coisas escritas é a mesma coisa: nunca consigo ler!
Viro analfabeta, mal fecho os olhos. Isso é outra coisa que tenho de
perguntar ao analista. Pelo jeito esses meus sonhos vão render
muito... pro analista.
Outra coisa que aparece freqüentemente, e que dá muito trabalho nos
sonhos, são as escadas, sempre tão estreitas e curtinhas que o pé
mal cabe nelas. Eu até consigo subir, mas descer, nunca!
E avião caindo? Nunca sonharam? Sonho sempre. Noite passada, dois
caíram. Estavam fazendo treino de guerra.
Por certo meus sonhos dão matéria pra filmes. De terror. Por isso
acordo tão cansada, parecendo carregar a cama nas costas! Isso sem
falar que falo, grito, choro, esperneio, ronco... Meu marido,
pobrezinho é que vê e escuta tudo com paciência e tenta me acalmar:
"Doninha, calma. É só um sonho... Doninha?"
Mas tenho sonhos que gostariam que se repetissem eternamente: os de
voar. Ah, gente! Como é bom voar! Eu faço vôos rasantes e não
preciso me esforçar muito. Vôo rápido, vôo suavemente, vôo gostoso,
leve, livre e solta. A Samanta, minha filha, diz que também voa, mas
tem de sacudir os braços, como se fossem asas...
Dormir e sonhar ainda me fascina de tal maneira, que gosto de
escutar o que todos têm a contar sobre seus sonhos. Todos têm
matéria diferente, inusitada, surrealista mesmo.
Você gostaria de me contar sobre os seus sonhos? Eu adoraria
escutar...