01/09/2007
Ano 11 - Número 544


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Divagações acerca do (re)escrever
 

Tem dias que escrevo muito e me é difícil parar. Em outros, não consigo digitar nem meu próprio nome. Mas dizem que é assim mesmo: os dedos do poeta têm vida própria, são rebeldes por opção.

Então, sem me rebelar, pego meus versos antigos e releio-os com carinho, com olhos de leitor, fazendo a primeira leitura. Quantos versos mal traçados, quebrados, sem nexo! Então, carinhosamente, reúno-os de maneira diversa, troco palavras, mudo imagens, pontuo diferentemente, dando a cada verso uma nova energia, novo ritmo. Quem sabe uma nova cadência?

Quase sempre o poema renasce mais leve, com mais luz.

Por isso tantas vezes vocês verão meus poemas repetidos no ar. É porque eu os renovei. Na verdade, eles estão sendo reapresentados porque tiveram seus versos burilados, reescritos. Sempre haverá mudanças. Muitas vezes, tão sutil que algumas pessoas nem se aperceberão.

Meus versos, pelo jeito, não conseguirão ser definitivos nunca, porque posso modificá-los o tempo todo enquanto não forem impressos em papel.

Um dia, quando estudiosos forem pegar meu versos para análise, poderão fazer comparações de um mesmo poema, escrito em diversas versões... essa é a fantasia de todo escritor: ser estudado pelas gerações futuras. (Mas tudo isso, se um dia for tão famosa que mereça uma análise literária).

Por enquanto, só posso pedir aos amigos que me lêem, que sejam pacientes comigo, pois nem sempre consigo definir meus versos. Não sou definitiva. Perdoem-me a insistência, mas é que aprendo com seus olhos e renovo com suas críticas.
Abençoados vocês que me lêem sempre e me entendem. Obrigada por seus olhares atentos aos meus escritos. Obrigada por seu carinho de sempre.
 

(01 de setembro/2007)
CooJornal no 544


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br