Tem dias que escrevo
muito e me é difícil parar. Em outros, não consigo digitar nem meu
próprio nome. Mas dizem que é assim mesmo: os dedos do poeta têm
vida própria, são rebeldes por opção.
Então, sem me rebelar, pego meus versos antigos e releio-os com
carinho, com olhos de leitor, fazendo a primeira leitura. Quantos
versos mal traçados, quebrados, sem nexo! Então, carinhosamente,
reúno-os de maneira diversa, troco palavras, mudo imagens, pontuo
diferentemente, dando a cada verso uma nova energia, novo ritmo.
Quem sabe uma nova cadência?
Quase sempre o poema renasce mais leve, com mais luz.
Por isso tantas vezes vocês verão meus poemas repetidos no ar. É
porque eu os renovei. Na verdade, eles estão sendo reapresentados
porque tiveram seus versos burilados, reescritos. Sempre haverá
mudanças. Muitas vezes, tão sutil que algumas pessoas nem se
aperceberão.
Meus versos, pelo jeito, não conseguirão ser definitivos nunca,
porque posso modificá-los o tempo todo enquanto não forem impressos
em papel.
Um dia, quando estudiosos forem pegar meu versos para análise,
poderão fazer comparações de um mesmo poema, escrito em diversas
versões... essa é a fantasia de todo escritor: ser estudado pelas
gerações futuras. (Mas tudo isso, se um dia for tão famosa que
mereça uma análise literária).
Por enquanto, só posso pedir aos amigos que me lêem, que sejam
pacientes comigo, pois nem sempre consigo definir meus versos. Não
sou definitiva. Perdoem-me a insistência, mas é que aprendo com seus
olhos e renovo com suas críticas.
Abençoados vocês que me lêem sempre e me entendem. Obrigada por seus
olhares atentos aos meus escritos. Obrigada por seu carinho de
sempre.