Quando estou em meu canto quieta, não gosto de ser perturbada nem por campainha, nem por telefone, nem por emails. Fico enjoada, mareada, como se estivesse numa viagem cheia de sacudidelas onde minhas entranhas fossem reviradas de todas as maneiras.
Enquanto estou nesse processo doloroso (porque dói... e como!), solitário (porque ninguém entende), lacrimoso (porque há que se chorar muito) e egoísta, volto-me inteiramente para meu umbigo que é a única coisa que consigo enxergar nestes dias nevoentos e embaçados.
Não adianta conversa-mole-pra-boi-dormir. Não adianta reza-braba. Não adianta macumba, corrente de oração, choro, nem vela... Flores, bombons e fitas passam despercebidos do meu campo de visão nesta hora.
Nestes dias insanos eu procuro uma razão para estar por aqui. E concluo de uma vez por todas que perdi completamente a razão. Fiquei insana. Não consigo acompanhar a correria globalizada pelos conhecimentos ou pelo poder. Fiquei à margem. Ou melhor, fiquei para trás porque "pedi um tempo", porque desci na estação.
E agora pra voltar, e tomar o trem andando, vai ser difícil. E já que estou aqui, vou ficar um bom tempo neste lugar, à sombra dos meus pensamentos, sem interrupções, com direito a sentir perfume de anjo, saudade do primeiro amor, gosto de pão de casa. Enquanto o coração ainda estiver ávido por curativos, vou permanecer em quietudes. Preciso ficar comigo mais um tempo, desculpem-me o egoísmo deste momento.