Não sei o que anda
acontecendo. Ando distraída com os amigos. Até os mais chegados
andam envoltos em uma nuvem de esquecimento. Esqueço aniversários,
encontros, nomes, gostos. Esqueço do que meu amigo sofre. Esqueço
que ele está passando por algum momento difícil ou que tem feito uma
conquista ou que seu filho se formou, casou, noivou, namorou,
engravidou, surtou.
Coisas importantes ou de somenos valor são esquecidas. Não porque
não os ame, mas porque tudo anda tão rápido nesses dias que ando sem
tempo de me deter em cada detalhe. As coisas me fogem.
Será que é a idade?
Lembro do tempo em que eu tinha agendado aniversário de tanta gente!
Eram amigos, parentes, conhecidos, empregados, vizinhos... Hoje a
agenda se perdeu e eu nem me dou conta dos parabéns a não ser quando
vejo outras pessoas cumprimentarem o aniversariante.
Digo a mim mesma que vou voltar a fazer uma agenda no capricho, mas
qual! Esqueço disso também!
Essa coisa de esquecimento está ficando engraçada aqui em casa. Meu
marido está pior que eu. Ele que nunca precisou anotar um
compromisso que fosse, que sempre guardou tudo "de cabeça", vive me
requisitando pra "não deixá-lo esquecer" de fazer isto ou aquilo, de
ir neste ou naquele médico, de telefonar pra Beltrano ou Cicrano.
Logo eu que tenho tanta coisa pra lembrar? Vivo com bilhetes
pendurados, anotações em folhas dispersas em todo lugar em letras
garrafais pra chamar a atenção. E vivo conferindo seguidamente as
datas das consultas marcadas para não deixar passar as datas.
Os dias de hoje estão corridos demais, estou chegando a esta
conclusão. E a memória da gente está ficando pequena para tanta
informação. Assim como se pode acrescentar memória nos computadores,
seria de bom tamanho se pudéssemos acrescentar mais memória em nossa
cabeça... Hummmmmm iria ser interessante e prático. De cara, eu
pegaria uns gigas a mais pra conseguir abarcar tudo o que quero ter
em mente sem esquecer.
Não quero esquecer de responder os e-mails, ou às cartas que ainda
recebo. Não quero esquecer de retornar os telefonemas, ou de
retribuir os presentes que recebi. Não quero deixar de dar um
carinho aos meus amigos só porque minha cabeça anda avoada.
Mas enquanto tudo depender só de mim e de um fortificante (ah,
também ando esquecendo das palavras!), vou esquecer coisas e mais
coisas. Minha cabeça é pequena demais para guardar tanta "coisa".
Enquanto isso, vou de bilhetinhos na geladeira, ou ao lado do PC, ou
no mural, ou nos espelhos... Enfim, tem recadinhos afixados em tudo
quanto é espaço disponível.
- E estou lendo aqui, em um desses bilhetinhos, que tenho...
tinha... que enviar essa crônica ainda ontem! Poxa! Esqueci de olhar
o bilhete! De que adianta fazer recadinhos se nem os leio? Eita,
cabeçuda! Não adianta! A idade me pegou de jeito!