06/10/2007
Ano 11 - Número 549


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Perfume de anjo



 

Tem dias que sinto um perfume que me passa tão suavemente que nem parece que existiu. Acredito que esse cheirinho delicioso e tênue, mas que se desfaz rapidamente, seja perfume de um anjo que passou.

Não riam, embora eu mereça esse riso solto. Mas gosto de ser assim: uma tola que acredita em anjos.

Vou tentar definir com palavras o que sinto quando isto acontece. Perfume de anjo é um cheirinho parecido com o cheiro da flor da laranjeira, só que mais tênue, mais suave. Quase uma sugestão, um encantamento, uma esperança, um quase foi, entenderam?

Como sou muito susceptível a cheiros, isso me deixa encantada, pois a suavidade das notas é o que mais me atrai neste caso. Dá um gostinho de quero mais. E ao senti-lo, fecho os olhos, abro meus pulmões, respiro profundamente e tento prolongar o máximo possível o momento.

Esse cheirinho me deixa feliz, apaziguada e sempre tem aparecido em momentos que mais necessito, deixando-me com mais força para continuar a viver.

Estou com saudades... Faz tempo que não sinto perfume de anjo...


 

(06 de outubro/2007)
CooJornal no 549


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br