Vendo um vestidinho de bailarina (tutu), lembrei-me que desde menina
alimentava o desejo de ser bailarina clássica.
Onde eu morava não tinha essas coisas de aulas de balé. Era um luxo
que, para a menina do interior, era inatingível.
Acabei entrando para aulas de dança moderna quando fiquei
adolescente e aprendi alguma coisa para as apresentações em
festinhas da igreja ou do colégio.
E, embora eu pouco soubesse, montei uma turminha de dança com as
meninas do meu bairro. Todo dia de aula, empurrava os sofás da casa
da mãe e dava as aulas na sala de visita.
Eu me divertia com tudo aquilo e ao mesmo tempo arranjava uma
graninha para as minhas aulas de balé na cidade e também podia
comprar meus LPs com músicas orquestradas. Paguei um toca-discos
portátil da Philipps (a prestação) com essas aulinhas que eu dava
durante a semana.
As meninas aprenderam muitos passos e eu fiquei mais apaixonada
ainda pela dança.
Nesta época, ganhei medalha em festa de talentos no meu colégio. Eu
dançava com sentimento.
Quando estava na faculdade, freqüentei aulas de balé clássico, mas
estava muito atrasada em relação às meninas da minha turma que eram
todas novinhas, tinham elasticidade e começavam na arte.
Mas isto não foi empecilho para mim. Continuei com as aulas e a
faculdade.
Mas logo outros compromissos surgiram e minhas aulas de balé
deixaram de ser prioridade.
O gosto pelo balé ficou comigo, mas já não sofro por não conseguir
dançar, como acontecia há anos atrás.
Colecionei tudo quanto foi artigo sobre o assunto. Conhecia de cor o
nome dos bailarinos e me achava íntima deles...
Agora, só lembranças e o gosto pela dança ficaram ao meu lado.
Mas muitas e muitas vezes tenho vontade de sair dançando na pontinha
dos pés.
Coisa mágica essa de ter asas nos pés...