16/02/2008
Ano 11 - Número 568


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Na pontinha dos pés

Vendo um vestidinho de bailarina (tutu), lembrei-me que desde menina alimentava o desejo de ser bailarina clássica.

Onde eu morava não tinha essas coisas de aulas de balé. Era um luxo que, para a menina do interior, era inatingível.

Acabei entrando para aulas de dança moderna quando fiquei adolescente e aprendi alguma coisa para as apresentações em festinhas da igreja ou do colégio.

E, embora eu pouco soubesse, montei uma turminha de dança com as meninas do meu bairro. Todo dia de aula, empurrava os sofás da casa da mãe e dava as aulas na sala de visita.

Eu me divertia com tudo aquilo e ao mesmo tempo arranjava uma graninha para as minhas aulas de balé na cidade e também podia comprar meus LPs com músicas orquestradas. Paguei um toca-discos portátil da Philipps (a prestação) com essas aulinhas que eu dava durante a semana.

As meninas aprenderam muitos passos e eu fiquei mais apaixonada ainda pela dança.

Nesta época, ganhei medalha em festa de talentos no meu colégio. Eu dançava com sentimento.

Quando estava na faculdade, freqüentei aulas de balé clássico, mas estava muito atrasada em relação às meninas da minha turma que eram todas novinhas, tinham elasticidade e começavam na arte.

Mas isto não foi empecilho para mim. Continuei com as aulas e a faculdade.

Mas logo outros compromissos surgiram e minhas aulas de balé deixaram de ser prioridade.

O gosto pelo balé ficou comigo, mas já não sofro por não conseguir dançar, como acontecia há anos atrás.

Colecionei tudo quanto foi artigo sobre o assunto. Conhecia de cor o nome dos bailarinos e me achava íntima deles...

Agora, só lembranças e o gosto pela dança ficaram ao meu lado.

Mas muitas e muitas vezes tenho vontade de sair dançando na pontinha dos pés.

Coisa mágica essa de ter asas nos pés...

 

(16 de fevereiro/2008)
CooJornal no 568


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br