Há dias venho pensando sobre um assunto e isso não sai da minha
cabeça. O que devemos falar? Até onde podemos falar com nossos
amigos e parentes?
Sinceridade nem sempre é sinal de bondade.
Têm pessoas que têm a mania de dizer que são sinceras, mas na
verdade, são mal educadas pois dizem coisas que poderiam deixar de
dizer.
Nem todo mundo quer ouvir a verdade.
Também não é preciso mentir. Apenas deixa-se de dizer a verdade.
Saber calar na hora certa é a senha para não magoarmos a quem
amamos.
Mentira piedosa também é dose, mas às vezes é indispensável.
Sabe aquelas coisas que se dizem só para agradar e deixar o outro
feliz?
Eu já deixei de dizer coisas para não magoar a quem amo e até já
disse uma mentirinha piedosa para levantar o astral de quem quero
muito.
Disto não me arrependo.
Arrependo-me dos meus rompantes de raiva quando digo e escrevo
coisas que vêm não sei de que quartinho obscuro que tenho em meu
coração.
E uma vez dita (ou escrita) a palavra tem vida própria e fica me
perseguindo pela vida afora.
O que se pode fazer nestes casos?
Eu, como obsessiva compulsiva assumida, acabo ficando deprimida pois
não vejo solução.
Não posso voltar no tempo e apagar o que foi dito (ou escrito).
Já não depende mais de mim.
Quem sentiu minha raiva e ouviu (ou leu) minha raiva doída é que vai
ter que me perdoar.
As palavras que eu disse (ou escrevi) já não são mais minhas e o
preço que terei que pagar para resgatá-las e limpá-las de todo
significado ruim é sempre muito alto.
Perde-se amigos e amores. Chora-se por tempos... Mas é o próprio
tempo quem serve de consolo nestas horas.
Um dia, a gente acaba esquecendo.
Tanto o ofensor quanto o ofendido um dia esquecem do que foi dito...
A questão é: dá para continuar sendo o que se foi depois de tudo?
Não.
Algo sempre muda.
O que espero, sinceramente, é que mude para melhor. Que o episódio
sirva de crescimento para ambas as partes.
Tudo nesta vida é aprendizado. E o que se aprende nestes casos é que
o amor ou a amizade podem valer mais que meia dúzia de palavras
duras e ásperas.
Dá para esquecer, sim... e aprender.
E você, conseguiria me perdoar?