19/04/2008
Ano 11 - Número 577


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Eu prometo!
 

Neste ano (dia 21 de abril) comemoramos 30 anos de casados o Zito e eu. E estamos felizes por nossas conquistas, por nosso amor, por nossa filha Samanta, pelo nosso genro Guilherme e pela nossa netinha primeira, Vitória. É tão bom ter alguém que amamos ao nosso lado e com as mesmas aspirações...

Mas nem todos os dias foram assim felizes. Teve dias em que achei que não iria resistir em ter que dividir espaço com alguém que nem sempre concordava comigo.
Teve dias em que tive vontade de pegar um cavalo e ir embora para a casa de minha mãe, assim como minha nona Joa fazia, quando ela e o nono brigavam. Esfriando a cabeça, meu nono ia na casa do meu bisnono e buscava minha vó, uma descendente de português, braba que ela só... E ficavam em dias de amor e sonho.
Tiveram 18 filhos, por conta desse amor.

Se eu tivesse um cavalo, teria fugido umas quantas vezes. Mas e o Zito iria me buscar?

Com certeza. Não conheço homem mais paciente e dedicado. Acho que só ele para agüentar meus faniquitos intermináveis, minha longa depressão, minhas manias. Ele me dá a segurança de saber que estará sempre ao meu lado.

Eu o adoro e o quero sempre por perto, mas tem instantes em quero minha privacidade, meus momentos de quietude. E ele me respeita, assim como o respeito em sua solidão.

Acho que por isso tem dado certo nosso casamento. Pelo respeito que temos um pelo outro. A paixão dos primeiros tempos deu lugar a um amor calmo, consciente, pacato, previsível. Mas quem não busca essa previsibilidade no outro?

Sou de rotinas e ele também. Nada como uma boa rotina atrás da outra, entremeada de umas surpresas poucas e agradáveis.

Nossa filha Samanta é um belo presente que temos, resultado desse nosso relacionamento. Foi programada e veio conforme a encomenda. Só nos traz recompensas.

Nesses anos todos, conseguimos passar por momentos cruciais com problemas financeiros, emocionais, problemas com a família dele, com a minha família. E sobrevivemos... E a cada pancada, lambíamos as feridas juntos. E voltávamos mais fortes, mais unidos.

Tem sido assim por 30 anos. E eu prometo que farei tudo para que assim permaneça. Que assim continue. Que assim seja. Amém.
 

(19 de abril/2008)
CooJornal no 577


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br