10/05/2008
Ano 11 - Número 580


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Mãe é mãe

 

Mãe é mãe, e se não for cega, é surda quando se trata de alardear os atributos e competência dos filhos. Nunca vê os defeitos, só as qualidades. Mas não é nada muda. Para ela cada filho é o máximo seja o que for: engenheiro, cantor, médico, carpinteiro, contador, fazedor de bicos e até poetas. Não tem defeitos mesmo! É lindo, inteligente e esperto. E diz isso pra quem quiser (ou não) ouvir.

Com minha mãe não podia ser diferente. Ela tem o maior orgulho de sua prole. Afinal, se ela não tem, quem terá?

Para ilustrar o que digo, vejam só o que ela faz por mim, que já sou bem grandinha: pega o livro que escrevi e publiquei e leva a todo lugar que vai, não importa onde: consultório de médico, cabeleireiro, casa da tia, do irmão, do sobrinho, mercadinho do bairro, hospital... (acho que em velório ela nunca levou).

Em cada um destes lugares, conversa-vai-conversa-vem, ela dá um jeito de entrar na conversa com o assunto sobre escrevinhações de livros, citando, mui orgulhosa e cheia dos adjetivos superlativos, a filha (eu aqui, ó!) que escreveu um livro e que, por acaso, ela tem o livro na bolsa ou no carro para dar para quem quiser.

Acredito que ninguém, em sã consciência vai se negar a receber um livro dado de presente. Ler que é bom, são outros quinhentos, mas para minha mãe, vale a propaganda e a satisfação de ver cada um folhear o livro da filha (eu aqui, ó!) com curiosidade e ler, pelo menos, o título (Só Poesia) e elogiar, é claro, a capa.

Não tem merchandising mais eficiente do que palavra de mãe e, eu aqui, ó! fico orgulhosa pela coragem que ela tem, de dar a cara para bater assim, sem medo de críticas. Mesmo porque, para ela, a obra da filha é perfeita.

Perfeita é ela, que me fez assim. Boba sou eu de não querer acreditar. Minha mãe é o máximo!

 

(10 de maio/2008)
CooJornal no 580


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br