Mãe é mãe, e se não for cega, é surda quando se trata de
alardear os atributos e competência dos filhos. Nunca vê os
defeitos, só as qualidades. Mas não é nada muda. Para ela cada filho
é o máximo seja o que for: engenheiro, cantor, médico, carpinteiro,
contador, fazedor de bicos e até poetas. Não tem defeitos mesmo! É
lindo, inteligente e esperto. E diz isso pra quem quiser (ou não)
ouvir.
Com minha mãe não podia ser diferente. Ela tem o maior orgulho de
sua prole. Afinal, se ela não tem, quem terá?
Para ilustrar o que digo, vejam só o que ela faz por mim, que já sou
bem grandinha: pega o livro que escrevi e publiquei e leva a todo
lugar que vai, não importa onde: consultório de médico,
cabeleireiro, casa da tia, do irmão, do sobrinho, mercadinho do
bairro, hospital... (acho que em velório ela nunca levou).
Em cada um destes lugares, conversa-vai-conversa-vem, ela dá um
jeito de entrar na conversa com o assunto sobre escrevinhações de
livros, citando, mui orgulhosa e cheia dos adjetivos superlativos, a
filha (eu aqui, ó!) que escreveu um livro e que, por acaso, ela tem
o livro na bolsa ou no carro para dar para quem quiser.
Acredito que ninguém, em sã consciência vai se negar a receber um
livro dado de presente. Ler que é bom, são outros quinhentos, mas
para minha mãe, vale a propaganda e a satisfação de ver cada um
folhear o livro da filha (eu aqui, ó!) com curiosidade e ler, pelo
menos, o título (Só Poesia) e elogiar, é claro, a capa.
Não tem merchandising mais eficiente do que palavra de mãe e,
eu aqui, ó! fico orgulhosa pela coragem que ela tem, de dar a cara
para bater assim, sem medo de críticas. Mesmo porque, para ela, a
obra da filha é perfeita.
Perfeita é ela, que me fez assim. Boba sou eu de não querer
acreditar. Minha mãe é o máximo!