08/08/2008
Ano 11 - Número 593


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Rosas plásticas

 

Estava ajeitando a casa e lembrei da casa da minha infância e das rosas plásticas da minha mãe.

Quem nunca teve um buquê de rosas plásticas na mesa? Hoje são de seda ou cetim, mas antigamente eram de plástico e foi moda lá pelos anos 60.

Um dia, minha mãe chegou da rua com um ramalhete desses de rosas plásticas, bem vermelhas.

Comprou-as na venda do seu Vitório e eram muito chiques.

Aos meus olhos de menina, eram lindas! E tinham perfume! Nada de artifícios inodoros! Exalavam essência das próprias rosas naturais.

Arranjamos um vaso azul, todo cheio de frufrus e colocamos o ramalhete na mesa da sala de visitas, um lugar de destaque.

Ficaram lindas e a casa toda se perfumou daquele cheiro de casa bem cuidada da minha meninice.

Por muitos anos, as rosas permaneceram no mesmo lugar. Entrava moda, saía moda e elas permaneciam vitoriosas no mesmo vaso. Quando muito, mudavam de sala.

Eram lavadas continuamente por causa da poeira que vinha da estrada, mas mesmo desbotadas, continuaram naquele vaso rococó e o perfume persistiu pela minha infância afora.

Hoje, minha meninice vem brincar comigo quando vejo um vaso com flores artificiais.

Já o perfume, este ficou lá, naquela casa onde era meu cúmplice na felicidade de ser criança.

 

(08 de agosto/2008)
CooJornal no 593


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br

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