Estava ajeitando a casa e lembrei da casa da minha infância e das
rosas plásticas da minha mãe.
Quem nunca teve um buquê de rosas plásticas na mesa? Hoje são de
seda ou cetim, mas antigamente eram de plástico e foi moda lá pelos
anos 60.
Um dia, minha mãe chegou da rua com um ramalhete desses de rosas
plásticas, bem vermelhas.
Comprou-as na venda do seu Vitório e eram muito chiques.
Aos meus olhos de menina, eram lindas! E tinham perfume! Nada de
artifícios inodoros! Exalavam essência das próprias rosas naturais.
Arranjamos um vaso azul, todo cheio de frufrus e colocamos o
ramalhete na mesa da sala de visitas, um lugar de destaque.
Ficaram lindas e a casa toda se perfumou daquele cheiro de casa bem
cuidada da minha meninice.
Por muitos anos, as rosas permaneceram no mesmo lugar. Entrava moda,
saía moda e elas permaneciam vitoriosas no mesmo vaso. Quando muito,
mudavam de sala.
Eram lavadas continuamente por causa da poeira que vinha da estrada,
mas mesmo desbotadas, continuaram naquele vaso rococó e o perfume
persistiu pela minha infância afora.
Hoje, minha meninice vem brincar comigo quando vejo um vaso com
flores artificiais.
Já o perfume, este ficou lá, naquela casa onde era meu cúmplice na
felicidade de ser criança.