Lá pelos meus 16, 17 anos, início dos anos 70, eu estava fazendo o
segundo grau no Madre Teresa Michel, um colégio de freiras de
Criciúma. Naquele tempo a gente era chamada de normalista. Eu
adorava estudar lá com aquele uniforme azul marinho (quatro dedos
acima do joelho no comprimento), tirante com botões e blusa branca
de fustão. (De fazer inveja a qualquer fantasia erótica dos dias de
hoje).
Sapato colegial e meias soquetes brancas para o uso diário e meias
finas para o uniforme de gala, ou seja, dias de desfile de 7 de
setembro ou festas no auditório do colégio.
As freiras eram exigentes quanto ao uso correto do uniforme e quem
não estivesse de acordo não podia assistir às aulas. Vi muitas
meninas de bainhas desfeitas pela Irmã Celina porque não obedeciam
ao comprimento exigido.
Eu estava sempre dentro das regras, mesmo porque sempre fui uma
aluna modelo: líder de classe, editora do jornal da escola, as
melhores notas da turma. Fui a oradora da turma na formatura.
Eu compensava nos estudos a minha timidez e o complexo de
inferioridade. Me achava, feia, gorda e tansa. Tinha medo de me
aproximar dos rapazes. Ficava lembrando dos avisos da minha mãe que
achava todos os meninos como potenciais conquistadores de suas
filhas. Nunca tive um amigo do sexo oposto. Meus pais nunca
permitiram.
Nesta época, tive meu primeiro namorado, dei o primeiro beijo... mas
continuava tímida. Ficava com as bochechas coradas quando alguém me
olhava diretamente. Eu sentia queimar as faces e sabia que estavam
vermelhas. E quanto mais eu pensava nisso, mais vermelha eu ficava,
chegando a ficar rubra. Eu odiava aquilo!
Tínhamos as festas americanas e as tardes dançantes, o cinema do tio
Mário, os encontros nas festas juninas, os primos, os passeios de
jipe. E continuava a me achar feia... E a ficar rubra nas faces.
Mesmo com as roupas da última moda, costuradas pela minha mãe, eu
não conseguia ficar confiante. Não confiava no meu taco. Timidez
pura.
Esse sentimento me perseguiu durante toda a minha adolescência e nem
sei se já me abandonou. Essas coisas criam raízes.
Desta época ficou a lembrança dos amores "impossíveis", das tardes
de domingo, das amigas, dos passeios de jipe pelas tardes dançantes
da região, das conversas com os primos... Ah, e tinha também aquele
vestido vermelho, longo e rodado que fazia sentir-me uma princesa.
Era o único que combinava com o rubro da minha face.