Sou de observar a natureza e suas nuances de temperatura, cor, ou
luz. Fico atenta aos ventos - se vem do leste, é úmido, se vem do
sul é frio e seco, se vem do norte anuncia chuva. Aprecio o
pôr-do-sol que, com seus amarelos-laranjas-vermelhos espraiando-se
pelo céu, promete sol radiante para o dia seguinte. Andorinhas em
vôos rasantes? Chuva à vista!
Uma tonta... perde seu tempo a interpretar sinais da natureza,
dirão.
E eu digo que essa é a minha religião: ver em cada pedaço da
natureza um tantinho de Deus.
Sou piegas? Romântica? Sonsa?
Que seja!
Nem assim mudo meu jeito de ser.
Ainda continuarei a fotografar gralhas nos coqueiros do jardim,
ainda mostrarei o vento à minha netinha e ficarei atenta ao que os
bem-te-vis anunciam.
Até os urubus me dão sinais: quando estão em revoada, bem no alto,
significa que vai "cair" vento sul. Como eles sabem? Gostaria de
saber também. Devem ter alguma espécie de radar que nós, humanos,
também devemos ter, mas não aprendemos a usar.
Encanto-me com cada plantinha, e mesmo que não tenha "dedo-verde"
para plantá-las, sou uma defensora ferrenha do verde. Até já discuti
com vizinhos porque não queria cortar as árvores do fundo do quintal
(jambolão) que fazem sombra e "sujeira" na grama dele.
Meu jardim é meio selvagem pois vou deixando crescer qualquer
arbusto ou árvore, mesmo que não seja as ditas plantas de
"decoração". Elas crescem lindas e risonhas, agradecendo a liberdade
que lhes dou. Ah, que lindo é um jardim com muito verde, salpicado
de cores aqui e acolá.
Vocês já pararam para observar as chamadas "ervas daninhas" (aquele
matinho intrometido que nasce no meio da grama, tipo serralha,
dente-de-leão, azedinha, picão)? Tem cada florzinha minúscula e
graciosa... E a grande maioria é medicinal. É a natureza em
miniatura, remédios pra qualquer solidão.
Me encanto com as amoreiras (aquelas que parecem moranguinhos). São
tão azedinhas! Dão água na boca. E as pitangas? Que formato
gracioso... e que delícia! E o tucum, super ácido e espinhoso? Que
coisa engraçada...
Pareço retardada? (Dããããããmmm)
Que seja!
Ainda assim me encanto com os pardais e os canarinhos que vêm aos
comedores procurar por grãozinhos.
Ainda assim, vôo na minha insanidade e borboleteio nas pinturas que
a natureza me oferece.
Em cada loucura minha, tem um pedaço do verde.
O verde está tatuado em meu coração.