12/09/2008
Ano 12 - Número 598


ARQUIVO
 ODETE BALTAZAR


 

 

Odete Ronchi Baltazar



Sonsa natureba

 

Sou de observar a natureza e suas nuances de temperatura, cor, ou luz. Fico atenta aos ventos - se vem do leste, é úmido, se vem do sul é frio e seco, se vem do norte anuncia chuva. Aprecio o pôr-do-sol que, com seus amarelos-laranjas-vermelhos espraiando-se pelo céu, promete sol radiante para o dia seguinte. Andorinhas em vôos rasantes? Chuva à vista!

Uma tonta... perde seu tempo a interpretar sinais da natureza, dirão.

E eu digo que essa é a minha religião: ver em cada pedaço da natureza um tantinho de Deus.
Sou piegas? Romântica? Sonsa?
Que seja!
Nem assim mudo meu jeito de ser.
Ainda continuarei a fotografar gralhas nos coqueiros do jardim, ainda mostrarei o vento à minha netinha e ficarei atenta ao que os bem-te-vis anunciam.

Até os urubus me dão sinais: quando estão em revoada, bem no alto, significa que vai "cair" vento sul. Como eles sabem? Gostaria de saber também. Devem ter alguma espécie de radar que nós, humanos, também devemos ter, mas não aprendemos a usar.

Encanto-me com cada plantinha, e mesmo que não tenha "dedo-verde" para plantá-las, sou uma defensora ferrenha do verde. Até já discuti com vizinhos porque não queria cortar as árvores do fundo do quintal (jambolão) que fazem sombra e "sujeira" na grama dele.

Meu jardim é meio selvagem pois vou deixando crescer qualquer arbusto ou árvore, mesmo que não seja as ditas plantas de "decoração". Elas crescem lindas e risonhas, agradecendo a liberdade que lhes dou. Ah, que lindo é um jardim com muito verde, salpicado de cores aqui e acolá.

Vocês já pararam para observar as chamadas "ervas daninhas" (aquele matinho intrometido que nasce no meio da grama, tipo serralha, dente-de-leão, azedinha, picão)? Tem cada florzinha minúscula e graciosa... E a grande maioria é medicinal. É a natureza em miniatura, remédios pra qualquer solidão.

Me encanto com as amoreiras (aquelas que parecem moranguinhos). São tão azedinhas! Dão água na boca. E as pitangas? Que formato gracioso... e que delícia! E o tucum, super ácido e espinhoso? Que coisa engraçada...
Pareço retardada? (Dããããããmmm)
Que seja!

Ainda assim me encanto com os pardais e os canarinhos que vêm aos comedores procurar por grãozinhos.

Ainda assim, vôo na minha insanidade e borboleteio nas pinturas que a natureza me oferece.

Em cada loucura minha, tem um pedaço do verde.
O verde está tatuado em meu coração.

 

(12 de setembro/2008)
CooJornal no 598


Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br

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