
07/11/2008
Ano 12 -
Número 606

ARQUIVO ODETE BALTAZAR
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Odete
Ronchi Baltazar
Cristaleiras
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Sempre gostei das cristaleiras, aqueles armários envidraçados com espelho
no fundo onde se guardavam as peças mais bonitas de cristal ou porcelana
no tempo em que eu era menina.
Perdia-me nas prateleiras cheias de peças delicadas que contavam histórias
e somente usadas em dias especiais.
Elas tinham lugar de destaque e ficavam sempre nas salas para que as
visitas pudessem apreciar o seu conteúdo.
Lembro da cristaleira nona Leocádia e da tia Nair. Ficavam na sala de
visitas e eu me encantava com aqueles bibelôs cheios de detalhes dourados
e as xicrinhas delicadas e floridas que serviam cafezinhos e bons papos
nas tardes de visitas, aos domingos, quando tias, avós e primos colocavam
seu afeto em dia.
Queria tocar cada delicadeza e relevo daqueles mimos para sentir a
história de cada um, mas não me atrevia a tocá-los. Eram pequenos tesouros
inalcançáveis às minhas mãos estabanadas.
Na minha casa, não tínhamos cristaleira, apenas um armário envidraçado,
sem espelho ao fundo, mas que também guardava pequenos tesouros como
aquelas cestinhas de vidro e porcelana que acabamos por quebrar quando
ainda éramos pequenos.
Deste armário (que não era cristaleira) guardo poucas lembranças. Ele não
tinha o espelho mágico que refletia a minha infância e meus sonhos de
menina.
(07 de novembro/2008)
CooJornal
no 606
Odete Ronchi Baltazar,
escritora e poeta
Florianópolis - SC
odeterb@terra.com.br
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